São Paulo - Os negócios de estrutura de aço para construção civil, que movimentam anualmente R$ 4 bilhões, podem crescer 10% ao ano a partir de 2005, caso o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) se mantenha entre 2,5% e 3% nos próximos anos. Além da aposta na retomada dos investimentos em infra-estrutura, o setor também quer incrementar o faturamento por meio da divulgação dos produtos de aço na construção. ''A grande expectativa de crescimento passa pela recuperação da economia. Mas também há um esforço para mostrar todos os componentes que podem fazer parte da construção metálica'', afirma o presidente da Associação Brasileira da Construção Metálica (Abcem), José Elizeu Verzoni.
As estruturas metálicas são comumente utilizadas em pavilhões industriais, instalações de siderurgia e mineração, estaleiros e plataformas de petróleo. Portanto, quando não há investimentos pesados em infra-estrutura, essa indústria vê seus negócios minguarem. ''Os segmentos que mais têm gerado negócios à construção metálica são aqueles relacionados à exportação'', explica Verzoni. Ainda assim, as 125 empresas associadas à Abcem têm operado com ociosidade de 40%. No ano passado, o setor utilizou 580 mil toneladas de aço para fabricação de estruturas e outras 250 mil toneladas do insumo para telhas e fechamentos.
O Brasil utiliza pouco as estruturas metálicas. Em países como Japão e Inglaterra, a participação das estruturas de aço em edifícios gira em torno de 65%. Por aqui, a fatia da construção metálica não ultrapassa os 5%. ''A idéia não é tomar o espaço do concreto, mas mostrar como esses projetos podem ser pensados com aço'', diz Verzoni.
De acordo com o presidente da Abcem, uma das principais vantagens do uso do aço está na velocidade de execução da obra. ''Na verdade, as construtoras se transformam em montadoras, uma vez que as estruturas já saem prontas da fábrica'', explica. Esse método de fabricação reduz ainda o índice de desperdício de materiais, que se reflete no enxugamento dos custos de construção.
Segundo Verzoni, cerca de 35% do mercado de construção metálica é atendido por oito grandes empresas do setor, cuja produção está concentrada nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. Para driblar os impactos dos reajustes consecutivos do preço do aço, as empresas do setor têm realizado operações casadas (a compra do insumo se dá no momento de assinatura do contrato).
''Nas obras complexas, que podem levar mais de um ano, a saída é administrar custos muito bem'', diz o presidente da Abcem. Para o próximo mês, por exemplo, são esperados reajustes de 21% para a chapa grossa e 16% para laminados a frio e a quente, dois dos principais insumos utilizados pela construção metálica.

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