Construção evolui na busca do equilíbrio térmico
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sábado, 22 de abril de 2006
Betânia Rodrigues<br>Reportagem Local 
Ninguém duvida que a temperatura é fundamental para o bem-estar dos seres vivos em qualquer ambiente. O incômodo da brusca alteração no termômetro não é apenas físco. Ele interfere diretamente no humor das pessoas, em seus relacionamentos e na produtividade. Para evitar esses desgastes é que a indústria e profissionais da área empenham-se em pesquisas de materiais e técnicas que amenizem o possível desconforto térmico.
Segundo os arquitetos Clóvis Bohrer e Karin Lascowski, o primeiro passo antes de construir um imóvel é estudar a ensolação sobre o terreno e, somente a partir daí, elaborar o projeto. É de conhecimento geral que o sol da manhã (região leste) é higienizador e, portanto, indicado para quartos, cozinhas, áreas de serviço e banheiros. À tarde, ele deve ser evitado em cômodos de longa permanência como salas, quartos e escritórios. ''Essa precaução aumentará a qualidade de vida das pessoas e possibilitará economia'', afirmaram.
Quando a distribuição ideal de cômodos e entradas de ar encontra obstáculos, o arquiteto poderá introduzir no projeto uma variedade de materiais (unidos ou não) e estratégias que resolverão o problema. Em localidades quentes como Londrina, onde a temperatura média anual é de 21 graus Celsius, segundo a área de ecofisiologia do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), é aconselhável fugir da região Oeste (poente) devido à incidência prolongada do sol. Considerando que estamos no outono e a temperatura começa a cair gradualmente, Bohrer garante que é mais fácil resfriar ao invés de aquecer um ambiente.
Um jardim de inverno, por exemplo, é uma boa alternativa de iluminação e aquecimento desde que voltados do Norte para o Oeste. As telhas de vidro, essenciais neste tipo de local, são impróprias em maior quantidade em cidades quentes porque causarão o efeito estufa no verão. As varandas, por sua vez, são benvindas porque aumentam a circulação de ar e diminuem a área exposta ao sol.
''Em Curitiba, que é fria e úmida a maior parte do ano, elas podem ser fechadas com vidro reflexivo que rebaterá os raios solares no verão e evitará a perda de calor no inverno'', explicou Bohrer. O carpete, condenado no passado pela dificuldade de limpeza e manutenção, evoluiu e aparece como alternativa de piso em cidades de baixa temperatura. Embaixo dele, e também de qualquer outro tipo de pavimento, é possível instalar serpentinas elétricas que emitirão calor até mesmo através das cerâmicas, utilizadas, basicamente, em áreas úmidas (banheiros, áreas de serviço e cozinhas).
Independentemente da estação do ano, as paredes duplas (apenas tijolos ou mesclada ao dry wall) e recheadas com o vácuo, lã de rocha ou de vidro servem como ótimas isolantes térmicas. Efeito semelhante poderá ser obtido revestindo uma parede de alvenaria com madeira que, no piso, ao natural ou na forma de laminado, também evita a perda de calor.
No teto de uma casa, por exemplo, é possível conservar a temperatura interna instalando uma manta de alumínio entre a laje e o telhado. ''Neste caso, o 'sanduíche' funcionará, inclusive, como impermeabilizante da laje contra a umidade'', completou o engenheiro civil Camilo de Souza Santos, diretor técnico da Construtora Abussafe, de Londrina.
Assim como ele, o também engenheiro civil Fernão Galindo e diretor da Galmo Engenharia, confirma que o cliente hoje é mais informado e, portanto, mais exigente em relação às décadas passadas. Antes de comprar um imóvel, ele sabatina o vendedor, vistoria o produto em questão, compara preços, reivindica garantias e exige reparações quando não satisfeito com o negócio.


