Construção enxuta é sinônimo de obra mais limpa
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sábado, 26 de julho de 2003
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
Um dos principais objetivos da construção a seco é tornar a obra mais rápida e limpa. A característica que mais se destaca, nesse modelo de construção, são os produtos industrializados. Paredes, forros e até banheiros podem ser comprados semi-prontos ou prontos. O processo elimina, na maioria das vezes, etapas do canteiro de obras convencionais. Com isso, se por um lado o tempo de construção chega a ser 40% menor que no método convencional, por outro o custo da obra pode ser até 30% maior por conta da industrialização dos produtos utilizados.
Nesse tipo de construção, planejamento é fundamental. Os espaços devem ser medidos com bastante cuidado e precisão, pois os materiais são comprados sob medida. ''O projeto tem que ser preciso e estar compatibilizado, para que as peças se encaixem perfeitamente'', explica o arquiteto Carlos Bohrer Filho.
Ele ressalta que o processo exige mão-de-obra especializada, pois as peças e materiais de acabamento são totalmente industrializados. E cita como exemplos, as fachadas pré-moldadas para paredes externas, que são compradas em forma de painéis e montadas na obra. As esquadrias e lajes do processo vêm junto com os painéis e também são adaptadas na construção.
''Até banheiros já podem ser comprados prontos'', cita o arquiteto. Segundo ele, as peças são bastante variadas e não há problemas para instalação mesmo em apartamentos. ''O construtor compra o banheiro pronto e encaixa na obra através da grua'' detalhou.
Os sistemas hidráulicos e elétricos também foram adaptados e remodulados para se encaixar no processo de construção a seco. Nos banheiros prontos, por exemplo, as instalações elétricas e de esgosto são conectadas atrás de cada peça. No processo enxuto todos os detalhes são importantes, pois de acordo com o arquiteto não é tão simples fazer e refazer um parede como no sistema convencional. A parte elétrica e hidráulica são especiais: no sistema de saneamento é usado o sistema Peks, de tubulação hidráulica flexível. Para as instalações elétricas é usado o Busway, que é um sistema racionalizado.
Todos esses sistemas estão sendo utilizados em uma das lojas que será instalada no Shopping Casa, expansão do Shopping Catuaí, em Londrina. A loja com 6 mil metros quadrados, segundo Bohrer Filho, também vai receber paredes dry wall, ou seja, de gesso acartonado.
Na expansão do shopping, que chega a 13 mil metros quadrados, o modelo de construção escolhido foi o que busca a racionalização, segundo o engenheiro Wagner Soeiro Pagnan, responsável pela obra. ''A obra racional não chega a ser um modelo de construção a seco, mas visa a limpeza e a diminuição de gastos com materiais'', destaca Pagnan. Na parte elétrica está sendo usado o sistema Rack. Segundo Pagnan, o objetivo é facilitar a manutenção depois de pronta. Além disso, as redes elétrica, hidráulica e de ar-condicionado são de combate a incêndio.
A obra de expansão do Catuaí será destinada à instalação do Casa Shopping, que irá abrigar 42 espaços para lojas do setor da construção civil, indústria moveleira e escritórios de engenharia e arquitetura. A área total do shopping chega a 60 mil metros quadrados, maior obra individual térrea da cidade.


