Construir com menos desperdícios, usando processos e materiais ambientalmente corretos é a tendência e necessidade do mercado. A arquitetuta ecológica, cujo conceito está ligado diretamente ao respeito com o meio ambiente, conta com novas técnicas, novos produtos e novos conceitos de arquitetura e engenharia, disponíveis no mercado, para quem procura casas, edifícios ou escritórios mais adequados ao clima e à luz tropicais.
Um bom exemplo desta tendência pode ser vista na 44 Exposição Agropecuária de Londrina, que termina hoje, onde foi construída uma casa com materiais recicláveis. O labirinto ecológico foi edificado com paredes e cobertura de material feito com o miolo de caixas Tetrapak e resíduos de tubos de pasta de dente.
O que mais chama a atenção no projeto é o excelente isolamento acústico e térmico proporcionado pelo material. ''Nós tomamos conhecimento do produto e achamos que seria ideal construirmos a casa com esse material'', disse Leliana Casagrande Luiz, funcionária do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). O labirinto foi idealizado e desenvolvido pelo órgão, juntamente com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente, com o objetivo de ser um meio de educação ambiental para os visitantes da feira.
''O labirinto é uma dinâmica ambiental. Em cada sala mostramos diferentes processos da natureza'', contou. ''O material usado para a construção só veio fortalecer a idéia de preservação da natureza'', acrescentou Leliana, justificando o uso do material reciclável. Para a cobertura do Pavilhão Vitrine de Tecnologia do Leite, parceria da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) também foi usado o mesmo material reciclável.
''É um produto diferente que se mostrou resistente e com bom isolamento térmico'', frisou Paulo Hiraki, veterinário da Emater. Pelos cálculos dele, o ambiente coberto com o material reciclável, fica ao menos dois graus centígrados mais fresco, do que um outro coberto por telhas convencionais. ''Colocamos a telha para conhecer o produto e a construção alcançou a expectativa. Além disso, é um produto que não prejudica a natureza''.
Segundo a professora do departamento de arquitetura da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Ana Virgínia Sampaio, na construção ecológica todos os processos estão diretamente ligados um ao outro: o projeto inicial e os materiais que serão usados. De acordo com ela, além de materiais que não prejudiquem a natureza, o profissional pode aproveitar melhor o espaço e o terreno no qual vai desenvolver seu projeto. ''Trabalho muito com o conforto, que está ligado com o fato do ambiente ter temperaturas agradáveis sem o uso de ar-condicionado e do uso de iluminação e energia naturais. Um bom projeto é essencial'', pontua.
Ana Virgínia destaca métodos e equipamentos que podem ser usados para preservar o meio ambiente, entre eles o aproveitamento da energia do sol para aquecer a água e até mesmo para gerar energia elétrica. Outra saída é utilizar reservatórios de água de chuva. Essa água, segundo ela, pode ser usada para lavar o quintal, o carro e regar jardins.
Outra alternativa que já tem sido muito utilizada pelos arquitetos é a predominância da área envidraçada, para deixar o ambiente com uma iluminação mais natural e gerar economia de energia. ''Existem várias alternativas, o importante é saber elaborar o projeto e levar em consideração os fatores da natureza'', conclui.

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