A construção civil vive um momento incomparável em termos de desenvolvimento e com boas perspectivas para os profissionais do setor. Só que, ao mesmo tempo, há uma cobrança maior quanto à preservação do meio ambiente e a melhoria da qualidade de vida da população. A análise é do engenheiro civil Márcio Minto Fabricio, que ministrou a aula inaugural para o curso de Engenharia Civil do Centro Universitário Filadélfia (Unifil). Fabricio é professor doutor na Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (EESC-USP).
O engenheiro aponta que o desenvolvimento do setor pode ser observado nas áreas de habitação, edificações em geral e infraestrutura, mas lembra que a expansão das cidades não pode acontecer de maneira desordenada. ''Há uma demanda efetiva para novas construções com possibilidade de que esse volume seja ainda maior, mas temos que pensar para onde a cidade vai crescer e preservar as áreas de mananciais. Quando a obra não é bem planejada, isso acaba tendo consequências lá na frente''.
O professor explica que a construção não pode mais ser vista como uma atividade artesanal, onde predomina a informalidade. Ele diz que o setor avança como processo de industrialização e que hoje o engenheiro e o arquiteto devem se preocupar não apenas com o projeto e sim com a obra como um todo, principalmente no que se refere à preservação do meio ambiente. ''É causado um impacto maior cada vez que tiramos uma matéria-prima do meio ambiente e o transformamos em material de construção. Depois, se esse material é desperdiçado como entulho, é causado um impacto ambiental desnecessário'', afirma.
Segundo ele, é muito difícil dar a destinação adequada ao material que acaba se transormando em grande quantidade de lixo sólido urbano. Na sua avaliação, o maior problema é que boa parte dos resíduos é devolvida à natureza de forma incorreta, sendo descartada em áreas de nascentes, córregos e rios. ''Cada vez mais o projeto precisa focar não apenas o produto, mas o processo produtivo como um todo, para que o projeto seja executado minimizando o uso de recursos naturais. E aí entra o segundo passo, que é tratar esses rejeitos, reciclá-los na medida do possível, reutilizá-los na própria obra ou em outras construções, e só depois, planejar o descarte do que não é possível o reaproveitamento''.
Fabricio diz que o setor da construção civil, a exemplo de outras atividades empresariais, está passando por uma fase muito rápida de mudanças, principalmente no que se refere à inovação. ''A tecnologia da informação passou a ser uma ferramenta de trabalho assim como eram a lapiseria e a régua de cálculos. Hoje em dia, a maioria dos projetos pode ser representada no computador. A representação é um modelo que pode ser testado e visualisado ainda no ambiente virtual, antes que chegue à obra, e assim, temos condições de antecipar as decisões e os problemas que podem acontecer lá na frente. Esse é um desafio para os novos profissionais''.
O engenheiro também fez uma análise sobre Londrina. Segundo ele, a cidade está com um tamanho que considera bom e, mesmo com características de grande centro, consegue preservar a qualidade de vida urbana. ''A cidade me parece muito agradável. É uma cidade de porte médio, que proporciona uma série de alternativas de lazer e cultura, e ao mesmo tempo não é uma metrópole com as dificuldades inerentes das metrópoles brasileiras. Outra coisa que me chamou a atenção é a quantidade de áreas verdes nas cidades do Norte do Paraná, não apenas em Londrina, mas também em Maringá. Isso é uma preocupação contemporânea que torna as cidades habitáveis''.

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