Construção civil espera recuperação só em 2005
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sábado, 04 de setembro de 2004
Reportagem Local 
São Paulo - Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada semana passada, mostra que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 5,7% e 4,2%, respectivamente, no 2º trimestre e no 1º semestre de 2004, em comparação a períodos idênticos do ano passado. Por segmento, a construção civil acompanhou a alta, com variação positiva de 6,7% no 2º trimestre, e, embora mais modesta, de 2% nos primeiros seis meses do ano.
Na comparação de longo prazo, contudo, o setor é o que registra o pior desempenho. No acumulado dos últimos quatro trimestres em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores, a queda é de 4,9%. Nos setores de comunicações e comércio, por exemplo, as quedas são menos expressivas, com variação negativa de 1,7% e 0,5%, respectivamente.
Para o vice-presidente de Economia do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), Eduardo Zaidan, o crescimento no primeiro semestre ocorre sobre uma base muito fraca, já que 2003 foi um dos piores desempenhos do setor, com queda de 8,6% na atividade. ''A indústria da construção civil está reagindo, mas muito lentamente. O setor só cresce se os demais segmentos fazem investimentos em expansão'', avalia Zaidan. O executivo calcula que para cada R$ 100 investidos em qualquer setor da economia brasileira, entre 60% e 70% passam pela construção civil.
O presidente do Sindicato da Indústrias da Construção Civil Norte do Paraná (Sinduscon), Junker de Assis Grassiotto, disse que quando a economia cresce e se fortalece, os resultados positivos refletem diretamente no segmento da construção. ''Se tem crescimento, consequentemente abrem novos postos de trabalho, as pessoas ganham dinheiro e acabam investindo em construção'', frisou Grassiotto.
Ele comentou ainda que não dá para afirmar que o setor se recuperou totalmente, mas as expectativas para o segundo semestre é de um crescimento em torno de 4%. Segundo ele, o ano passado registrou uma recessão muito forte da economia e agora, com os resultados positivos do PIB, ela está passando por intervalo para retomar o crescimento. ''A expectativa para o nosso setor é cada vez melhor e os últimos indicadores começam a sinalizar isso'', afirmou.
Cimento - A indústria do cimento, um dos principais retratos do desempenho da indústria da construção civil, avalia que o crescimento será uma realidade somente no próximo ano. O secretário executivo do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), José Otávio Carvalho, mantém a expectativa de que o consumo do produto seja de 34 milhões de toneladas em 2004, semelhante ao volume comercializado no ano passado.
''O consumo de cimento está muito ligado à renda do trabalhador. Enquanto a renda permanece baixa, o consumo não cresce'', compara Carvalho, lembrando que mais de 40% da produção de cimento no País é consumido pelos pequenos construtores e pedreiros. Outros 40% são utilizados para a construção de edificações (habitacionais, industriais e comerciais), enquanto o restante é dirigido às obras de infra-estrutura.
Para ele, ''ainda não houve recuperação do setor, o mercado só parou de piorar''. Dados do SNIC mostram que o consumo de cimento o Brasil, atualmente, está nos mesmos níveis de 1995 e 1996. O melhor desempenho do setor foi em 1999, quando as empresas comercializaram 40 milhões de toneladas. (Com Agência Estado)


