Construção civil busca alternativas ao uso do amianto
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domingo, 28 de outubro de 2007
Caroline Vicentini<br>Reportagem Local 
Há mais de dois meses, as indústrias paulista e nacional travam uma queda de braço com as entidades que buscam banir o amianto ou asbeto do ambiente brasileiro. Entidades como Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e Confederação Nacional da Indústria (CNI) foram à Justiça contra a lei 12.684, de autoria do deputado estadual Marcos Martins (PT), sancionada pelo governador José Serra em julho deste ano, e conseguiram uma liminar em agosto.
A lei proíbe a importação, mineração, industrialização de materiais que contenham amianto e teoricamente entraria em vigor em janeiro de 2008. A decisão agora está nas mãos dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O Paraná é o único estado do Sul do país a permitir o uso de derivados do amianto mas também já possui projeto propondo o seu banimento.
Apesar do desenvolvimento de tecnologias para substituição do amianto, o mineral ainda é um insumo essencial na construção civil e em vários processos industriais. A cadeia produtiva do amianto crisotila brasileiro, desde a mineração até a revenda dos produtos derivados, gera 170 mil empregos no país.
Com uma produção anual de cerca de 250 mil toneladas/ano, o Brasil é o terceiro maior produtor mundial de amianto crisotila. Fica atrás apenas da Rússia, com produção de cerca de 1 milhão de toneladas/ano, e da China, com 450 mil toneladas/ano. A fibra é empregada em quase 3 mil produtos industriais, entre eles: telhas, caixas d'água, pastilhas e lonas para freios, revestimentos de discos de embreagens, pisos vinílicos, algumas tintas, plásticos reforçados, alguns tecidos e eletrodomésticos.
Algumas propriedades físico-químicas da fibra mineral, tais como resistência às altas temperaturas, boa qualidade isolante, durabilidade, flexibilidade e baixo custo justificam o seu largo uso na construção civil e indústria. Contudo, a polêmica sobre os potenciais problemas de saúde desenvolvidos por quem inala as fibras do amianto e os prejuízos ao meio ambiente devido à dificuldade em se dar um destino final ao asbeto, estão fazendo com que o setor desenvolva tecnologias de substituição da fibra mineral por vegetais ou sintéticas.
O vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Noroeste do Paraná (Sinduscon- Noroeste), Marcos Mauro Moreira, e o engenheiro civil, José Roberto Hoffmann, de Londrina, apontam o polipropileno (PP), o álcool polivinílico (PVA), o Polietileno de Alta Densidade (PAD), as embalagens Tetra Pak e as fibras vegetais (coco, sisal e malva) como alternativas ao amianto na fabricação de telhas e caixas d'água.
Porém, os defensores da fibra mineral argumentam que alguns substitutos apresentam custo muito superior e exigem grandes investimentos em equipamentos e tecnologia. ''O amianto é muito utilizado nas construções populares porque as telhas feitas com esta fibra são mais baratas e o madeiramento é menor. Com o emprego do amianto há também uma economia ambiental'', expõe a presidente executiva do Instituto Brasileiro do Crisotila (IBC), Marina Julia de Aquino.


