Rio de Janeiro - A Câmara Brasileira da Indústria de Construção (CBIC) estima que 600 mil novas moradias serão construídas no País no ano que vem, mais de oito vezes superior ao saldo deste ano, de 70 mil. Os recursos para financiamento do setor deverão triplicar de cerca de R$ 7 bilhões para R$ 24 bilhões.
O setor acumulava quedas 1,8% no Produto Interno Bruto (PIB) de 2002 e de 5,2% em 2003, mas reverteu os sinais este ano e confirma reação em todos os indicadores recentes divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De janeiro a setembro deste ano, a construção já acumula crescimento de 5,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Somente no terceiro trimestre, houve expansão de 11,6% ante igual trimestre de 2003, na maior variação apurada pelo IBGE entre os 12 subsetores pesquisados no PIB.
O aumento de atividade no setor está resultando também no crescimento do emprego. A construção puxou as contratações nas seis principais regiões metropolitanas do País em outubro, segundo a última pesquisa mensal de emprego. Com um aumento de 6,6% no número de ocupados em outubro em relação a setembro, com abertura de 88 mil novas vagas no período, o setor foi o principal responsável pela redução da taxa de desemprego nas seis regiões de 10,9% para 10,5% de um mês para o outro. No varejo, o setor de construção também vem apresentando resultados positivos. No acumulado de janeiro a setembro, o comércio aumentou as vendas em 2,7%.
O diretor da CBIC, Roberto Kauffmann, disse que o aumento dos recursos disponíveis para financiamento do setor no próximo ano vão garantir a geração de 1,5 milhão de empregos. De acordo com Kauffmann, a principal fonte de recursos para o setor, neste e no próximo ano, será o aumento da fatia direcionada da caderneta de poupança dos bancos privados para o setor habitacional. Por força de resolução do Banco Central, os bancos estão sendo obrigados a destinar uma porção maior dos recursos da poupança. Neste ano o volume foi de R$ 3 bilhões, mas em 2005, mesmo se a poupança permanecer estável, poderá chegar a R$ 10 bilhões.
Outros recursos sairão do orçamento do FGTS para habitação e saneamento, que será duplicado de R$ 5 bilhões em 2004 para R$ 10 bilhões no ano que vem. Os recursos poderão sair, ainda, de resolução a ser tomada pelo governo e esperada pelo setor, de direcionamento de R$ 4 bilhões do Orçamento Geral da União para financiamento da habitação, via subsídios para famílias de baixa renda.

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