Construção busca solução para entulhos
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sábado, 25 de outubro de 2003
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
Uma parceria entre a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina (CMTU) e o Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Norte do Paraná (Sinduscon-Norte) pretende encontrar uma solução para os resíduos da construção civil. Juntas, as pequenas e as grandes construções, produzem cerca de mil toneladas diariamente, um número três vezes maior que o lixo doméstico. A necessidade de desenvolver projetos nessa área teve como base a resolução 307 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), a qual estabelece prazos e responsabilidades entre o poder público e o setor gerador dos materiais.
O Comitê de Políticas de Gestão de Resíduos Sólidos, formado por essas entidades, tem como um dos objetivos a reativação e readequação da Usina de Moagem, desativada desde 1998, que será usada para a reciclagem dos materiais. A criação de um aterro sanitário para os resíduos que não forem reciclados também está prevista pelo comitê. Hoje, os resíduos dos pequenos produtores, são transportados por carroceiros e o destino são áreas de despejo irregulares. Já os entulhos das grandes construtoras são depositados em uma pedreira desativada.
''Temos muita pressa em resolver essa questão, principalmente no que diz respeito ao meio ambiente'', disse o presidente do Sinduscon Norte, José Roberto Hoffmann. Segundo ele, um acordo com a prefeitura, pretende deixar o Sinduscon Norte administrando o local. A intenção da entidade, como adiantou Hoffmann é realizar uma parceria junto a uma organização não governamental, para reativar a Usina. Ele disse ainda, que primeiro serão analisados os custos para colocar o local em funcionamento, como despesas de mão-de-obra e aquisição de maquinários. Um levantamento da capacidade de reciclagem da Usina também será necessário. De acordo com Hoffmann é possível reaproveitar 40% dos materiais.
Um levantamento feito pelo engenheiro civil, Sérgio Albuquerque, para uma tese de mestrado apontou que a reciclagem de apenas 30% dos resíduos sólidos da construção civil, produzidos em Londrina, poderia garantir material para a construção de duas casas de 42 metros quadrados por dia. Com a reciclagem, explica o engenheiro, e dependendo do processo utilizado, podem ser produzidos material base para calçada, blocos, tijolos e até concretos estruturais como lajes e vigas.
Na opinião da Diretora de Operações da CMTU, Rosimeire Suzuki Lima, uma das primeiras medidas que devem ser efetivadas para que o trabalho obtenha resultados positivos é a implantação de Áreas de Triagem e Transbordo (ATTs). Ela explicou que 32 pontos espalhados pela cidade, em situação irregular, são usados como depósito dos resíduos produzidos pelos pequenos geradores. Estudos preliminares indicam que seriam necessárias 14 ATTs. Para esses locais, serão encaminhados os resíduos das obras, feita a triagem, e dada a destinação para cada tipo de material.
Ela explicou que se a triagem for bem feita, é possível reaproveitar quase tudo. O que não servir para a reciclagem de materiais para construção, pode ter outro destino. ''Nos entulhos da construção vem tudo misturado, concreto ferro, restos de esquadrias, vidros, plásticos, papéis. Todos esses materiais podem ser reutilizados, mas nem todos para produtos de construção'', informou, citando o exemplo dos papéis que devem ter outro destino, que não a Usina de Moagem.


