Construbusiness reivindica ações efetivas do governo
Ligia Barroso
De Londrina
Ações efetivas do governo federal. É isso que as entidades e lideranças representativas do construbusiness brasileiro reivindicam. A mobilização do setor está cada vez mais forte e, neste final de ano, somou algumas conquistas.
Do Movimento Nacional dos Empresários e Trabalhadores da Construção, veio a primeira delas. Reunidos em Brasília (23 de novembro) em ato político, representantes do Movimento conseguiram que a Câmara dos Deputados criasse um grupo de trabalho para analisar as propostas elaboradas ao longo destes últimos quatro anos pela Comissão da Indústria Imobiliária (CII), criada pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (CBIC), que reúne todos os segmentos que compõem a cadeia produtiva imobiliária brasileira.
Da reunião, ocorrida no último dia 15 entre o grupo e a CII (e ainda sem a divulgação dos resultados), sairá um documento final para que seja apresentado e apreciado pelo governo federal. A proposta de reformulação do sistema financeiro da habitação, como ficou intitulado o documento, reivindica, entre as sugestões apresentadas em um sumário executivo realizado pela MCM consultores Associados, três itens básicos para discussão.
O primeiro, a criação de um banco de fomento da habitação, voltado para suprir, de fundos a longo prazo, as instituições financeiras dedicadas ao financiamento imobiliário. Em seguida, a substituição da TR por um novo indexador de correção para os financiamentos habitacionais. Na sequência, a alteração da fórmula de cálculo das prestações. Juntas, estas propostas representam garantias de crescimento na produção e na geração de empregos para a indústria da construção civil brasileira.
Além disso, promovem melhores condições para a compra da casa própria. Melhor dizendo. Promovem condições para que o consumidor consiga comprar a casa própria e, quando mutuário, consiga pagá-la.
Em documento anexo às propostas apresentadas, a CII distribuiu aos integrantes do Movimento, preocupante Nota Técnica elaborada pela Caixa Econômica Federal, enviada ao ministro do Trabalho e Emprego, Francisco Dornelles, que rapidamente tratou de encaminhá-la ao ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente.
O motivo da preocupação: de um volume de 57.734 ações judiciais, existentes até 1995, movidas contra a CEF por mutuários pedindo revisão de contratos, o número saltou para 382.275 datado em agosto de 99. Isso significa que, na hipótese latente (observou o ministro) de revisão de todos os índices pleiteados, estas ações representam um impacto na ordem de 94,98% sobre os depósitos atuais. Ou seja, um acréscimo de R$ 67,4 bilhões no passivo do FGTS. Isso, sem computar os custos com honorários advocatícios, juros de mora, multas e demais custas judiciais.
Em movimento paralelo, os Sinduscons de todo o país, liderados pela CBIC, criaram o Movimento Nacional da Construção e realizam um levantamento geral sobre a escalada de preços dos insumos básicos que compõem o custo representativo da construção.
Empresários do setor consideram abusivos os aumentos que vêm sendo praticados, principalmente em produtos que têm também o maior peso no custo de produção, como o cimento, concreto, aço, PVC e tinta. De posse de notas comparativas em preços, emitidas nos últimos 12 meses, o Sinduscon São Paulo formalizou denúncia ao CADE a à Secretaria de Acompanhamento Econômico, no início deste mês. Apoiando, os demais sindicatos integrantes do Movimento farão o mesmo.





