O Pluripainel de Mercado, realizado em 9 de dezembro em São Paulo sob coordenação da vice-presidência de Comercialização e Marketing do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais - SECOVI, reuniu representantes de diferentes setores do mercado construtor e imobiliário da capital paulista para somar, em balanço anual, os resultados de 98.
ReproduçãoAbrangênciaO Construbusiness é maior do que o Setor da Construção definido pelo IBGEOs números do ‘Mercado Brasil’, ilustrados graficamente, também foram avaliados através de dados obtidos pelos sindicatos das regiões metropolitanas de outras seis cidades: Curitiba, Belo Horizonte, Fortaleza, Recife, Distrito Federal e Goiânia.
Resultado: o construbusiness - o macrossetor da construção e habitação que participa com 14,8% do PIB Brasil, que possui capacidade de investimento fixo calculada em mais de R$ 90 bilhões dentre os R$ 126 bilhões correspondentes a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), e que, para cada 100 empregos diretos gera indiretamente outros 285 postos de trabalho - não produziu o esperado, o projetado. As elevadíssimas taxas de juros interromperam o ciclo de cinco anos consecutivos de crescimento ininterrupto do mercado imobiliário.
‘‘O custo do dinheiro em patamares absurdos, impossíveis de serem prognosticados, inibiu a produção e obrigou o setor a desacelerar e a se ajustar à conjuntura’’. Segundo Sérgio Luiz dos Santos Vieira, vice-presidente de Comercialização e Marketing do Secovi-SP, o ano de 1998 começou animado com as perspectivas favoráveis do Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), que poderia alavancar fortemente o investimento, a produção e a comercialização. ‘‘Mas não decolou, por culpa das inviáveis taxas de juros,’’ conclui.
ReproduçãoEm 1998, apesar de não poder empregar mais, a construção civil conseguiu elevar o número de empregos formaisApesar de não poder empregar mais, a construção civil conseguiu elevar o número de empregos formais. Até junho de 98, eram 1,4 milhão de trabalhadores formalmente empregados em todo o País, contra os 1,3 milhão de 97. O mais importante foi a origem deste crescimento: a profissionalização do trabalhador da construção civil, promovida essencialmente pelas entidades e empresas.
No Brasil, são 3,5 milhões de pessoas que se ocupam com o mercado construtor. Dados do IBGE e do Ministério do Trabalho revelam que desse total, 2,1 milhão é formado por empregados, 1,3 milhão trabalham por conta própria, 52,4 mil são empregadores e 41,5 mil corresponde ao contingente formado por colaboradores, parentes e amigos.
Apesar da instabilidade econômica, da queda na produção de novas unidades habitacionais de menor valor e redução na velocidade de venda de imóveis usados, alguns segmentos encontraram espaços e garantiram crescimento. Em São Paulo, por exemplo, a média mensal de entrada de protocolos para loteamentos urbanos cresceu de 51 para 54 pedidos/mês. Também aumentou a produção e o valor de venda (em US$/m2) dos escritórios (incluindo aí as cidades de Osasco, Guarulhos e as que compõem o ABCD paulista); cresceu em mais de 100% o número de empreendimentos residenciais lançados em sistema de condomínios horizontais; mais de 3,5 mil novas unidades de flat services foram lançadas no período janeiro a outubro/98 na capital - cerca de US$ 270 milhões em lançamento; os lançamentos residenciais convencionais, em imóveis com valor acima de R$ 250 mil, aumentaram de 643 unidades em 97 para 1.714 no período janeiro a outubro de 98.
Boas notícias também para o mercado de locação: a inadimplência e o volume de ações por falta de pagamento do aluguel residencial foi reduzido de 38,4% (janeiro a novembro/97) para 34% no mesmo período do ano passado. ‘‘E o mercado nacional de locação ainda tem enorme espaço para crescer’’, comenta Santos Vieira. Ele justifica: ‘‘Apenas 13,7% dos imóveis habitados no País são alugados; na média mundial este número cresce para 30%, até 40%. Ainda existe, em todo o Brasil, um enorme espaço para este segmento do mercado imobiliário, afinal, os números projetam que em 2000 - já no ano que vem - 80% da população brasileira viverá no perímetro urbano. Na década de 40 este percentual era de apenas 30%, subiu para 78% em 1991’’.

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