Modalidade assegurada pelas normas do Banco Central, o consórcio de imóveis é opção para quem não tem pressa, mas conta com a sorte e com juros anuais mais baratos para a compra da casa própria, terrenos urbanos, áreas rurais, imóveis comerciais ou precisa custear a reforma ou ampliação do imóvel usado. Operando com carta de crédito, emitidas mensalmente por sorteio ou lance, a modalidade oferece prazo de 100 meses para pagamento, livre escolha na localização do bem (vale comprar em qualquer parte do Brasil), não exige comprovação de renda nem avalista para a compra da cota, e o contrato de financiamento, sem resíduo, tem correção anual pelo Índice Nacional da Construção Civil (INCC) e seguro de vida acoplado.
Lançado há um ano em Londrina, o Consórcio União Imóveis já está fechando o terceiro grupo (formado por 200 cotistas cada), contemplou 24 participantes e corrige, no mês de dezembro, o valor da parcela mensal. A correção (anual) será de 5,3%. Oferecendo oito opções em valores para o crédito - de R$ 23 mil a R$ 60 mil - movimentou, nestes 12 meses, no mercado imobiliário londrinense, perto de R$ 1 milhão, com a entrega de bens imóveis e constituiu uma carteira equivalente a R$ 19 milhões. Empresa do Grupo Marajó, o União ocupa hoje a 14ª posição no ranking nacional das administradoras de consórcios. E o segmento imóveis já representa 3,3% no volume de negócios da administradora.
O desempenho da empresa é tido como garantia para o comprador desta modalidade. ‘‘Considerei a solidez da empresa na hora de optar por este tipo de investimento’’, comenta o médico ultra-sonografista Carlos Shoso Takaoka. Contemplado há 20 dias com uma carta de crédito no valor de R$ 40 mil, o consorciado vai comprar um segundo imóvel. ‘‘Mas ainda não me decidi, pois posso escolher o que fazer com este crédito. Como tenho opções de aplicá-lo em empreendimentos tanto residenciais como comerciais, estou analisando qual o melhor investimento para o momento’’.
No consórcio, a versatilidade de compra do bem é somada a outra vantagem. Desde setembro do ano passado, o Banco Central regulamentou também a flexibilização dos grupos e a possibilidade de migração entre as opções, realizadas inicialmente pelos participantes. O gerente geral de vendas do Consórcio União, Carlos Alberto Garcia explica: ‘‘É possível que se reúnam em um mesmo grupo clientes com diferentes cotas de valores e de bens. Assim, poderão estar juntos, consorciados com opção diferenciada de propostas de prestações e consequente saldo para investimento e compra. Além disso, possibilita a mudança da opção inicial depois de comtemplado.’
Foi o que aconteceu com Luzia Aparecida Moraes. Sorteada no segundo pagamento de um contrato com carta de crédito no valor de R$ 23 mil, ela comprou uma cota, pensando em reformar e ampliar a casa que possui no Conjunto Luiz de Sá, zona norte de Londrina. ‘‘Mas mudei de idéia. Já que tive a sorte de ser contemplada logo no início, vou comprar uma casa nova e alugar esta, onde moro há 19 anos.’ Funcionária do IAPAR há 20 anos, a telefonista diz que, convencida pela irmã, acabou fazendo o melhor negócio de sua vida. ‘‘Além de comprar um segundo imóvel, vou conseguir um rendimento extra com o aluguel, é uma garantia mensal. Transformei metade do meu salário, que é de R$ 570,00, em um ótimo investimento.’ Luzia, que mora com o pai e a irmã que tem duas filhas, paga uma cota de R$ 295,32 mensais.
Como também não existe prazo limitado para que se efetue a compra do bem, mesmo depois de sorteado, pois o valor do crédito vai sendo corrigido na mesma proporção que os reajustes anuais das parcelas mensais, o consórcio de imóveis é uma alternativa de poupança. ‘‘E das mais rentáveis porque garante o valor de compra do bem’’, argumenta o gerente de vendas. Garcia comenta que entre os cotistas existe um grande número clientes que compra em nome de filhos e netos, como uma poupança imobiliária programada. ‘‘Eu mesmo comprei uma para meu filho, hoje com dez anos. Como não pretendo dar lance e o tempo total do plano é de oito anos e quatro meses, mesmo que seja o último sorteado, ele terá, aos 18 anos, um imóvel próprio e novo’’.
Outra possibilidade: usar o crédito, com custo financeiro menor, para abater financiamentos imobiliários com custos mais altos. ‘‘Foi o que fez um de nossos clientes, ilustra Garcia. Ele possuia um imóvel financiado pelo SFH, com um contrato com resíduo e faltando 13 anos para pagar. A prestação era de R$ 1.260,00 mês. Comprou uma cota de R$ 60 mil, quitou o financiamento bancário e hoje paga uma parcela mensal de R$ 770,00. Reduziu a prestação e o tempo de contrato, pois em oito anos termina de pagar e, o que é melhor, sem resíduo’’.

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