Quando se fala na aquisição de um imóvel, a primeira imagem a se formar é a de uma família que, por causa das dificuldades para obtenção de crédito com os bancos e da falta de dinheiro vivo no bolso, busca como alternativa a compra através do consórcio. De fato, mais gente está usando o sistema para comprar imóveis ou construir o tão sonhado lar ou fazer aquela reforma tão necessária na casa.
Dados mais recentes mostram que o número de participantes no sistema brasileiro de consórcios cresceu 26% entre os meses de janeiro e março deste ano, comparado a igual período de 2002, segundo a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC).
Nesse número estão incluídos não apenas aqueles que usam o consórcio para fins residenciais, mas também empresários que utilizam o sistema para incrementar os seus negócios - captando dinheiro para a construção, reforma ou ampliação dos pontos comerciais.
Entre as várias categorias profissionais que aproveitam o consórcio de imóveis para alcançar seus objetivos sem comprometer o bolso e a saúde do negócio, estão os médicos. Vários deles têm usado o sistema tanto para reformar como construir clínicas. E o caso, por exemplo, de uma localizada às margens do Igapó 2, na av. Bento Munhoz da Rocha, um dos mais belos cartões postais de Londrina.
A clínica foi concebida por sete médicos pediatras e teve sua construção iniciada há dois anos. Hoje está em pleno funcionamento, depois de ser edificada com parte dos recursos provenientes de cotas de consórcio.
''Não tínhamos disponível todo o dinheiro necessário para a construção. Um financiamento bancário ficaria absurdamente caro. Pesquisamos qual seria a melhor maneira de captar o necessário para completar os recursos e decidimos pelo consórcio de imóveis'', lembra Issao Udihara, um dos sócios da clínica.
O médico conta que foram compradas, então, quatro cotas. Uma delas foi sorteada logo no início, conforme desejavam os pediatras da clínica. As outras três tiveram seus respectivos valores liberados através de lance. ''Vamos completar um ano de atividade este mês e, fazendo um balanço da opção pelo consórcio, a nossa decisão foi acertada. Conseguimos concretizar o nosso projeto sem pagar os altíssimos custos dos financiamentos tradicionais'', comenta.
Até mesmo para ampliação de hospitais o consórcio tem se revelado a alternativa mais atraente. É o que aconteceu, por exemplo, com o Hospital São Francisco, que atende à comunidade de Cambé desde 1948. O dinheiro proveniente de uma cota liberada através de sorteio ajudará no aumento do estacionamento da instituição. ''O consórcio atende às nossas necessidades. É uma alternativa melhor do que assumir compromisso com banco'', considera o clínico-geral Armando César Saraiva Casimiro, diretor-administrativo do hospital.
Para o diretor-superintendente do Consórcio União, Rodolfo Garcia Montosa, o fato de médicos e empresários de outras áreas usarem o consórcio como opção de captação de recursos confirma a flexibilidade do sistema - o consorciado recebe o dinheiro e pode usá-lo para a compra de terreno, construção da moradia, reforma ou aquisição de imóveis prontos ou na planta.
''Tanto para os empresários como para quem quer comprar um imóvel residencial, o consórcio possibilita a realização de um projeto sabendo quando vai ser preciso investir a cada mês e ficando-se ainda livre do resíduo gerado nos financiamentos bancários'', completa.

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