Kraw PenasErlon Rotta Ribeiro, presidente em exercício do Sinduscon: flexibilização nas regras é ponto positivoTendência de queda nas taxas de juros, facilidades para o financiamento de habitação, instalação de grandes indústrias no Paraná e atração de investimentos para o mercado imobiliário por causa da instabilidade das bolsas. O ano de 98 começa com boas perspectivas no setor de venda e locação de imóveis no Estado.
As previsões mais pessimistas são do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Paraná (Sinduscon). O setor fechou 97 com expectativa de sete mil demissões em Curitiba e região metropolitana e redução de 10% na oferta e aumento de 10% a 15% no preço do metro quadrado. Mas quando o governo acenou com a redução das taxas de juros, o setor respirou aliviado. As vendas, que haviam parado, foram retomadas aos poucos.
O presidente em exercício do Sinduscon, Erlon Rotta Ribeiro, explica que com as taxas de juros voltando ao normal vai ser possível colocar em prática o Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), lançado no último mês de novembro. O SFI dá garantia fidejudiciária, mais rigorosa do que a hipotecária, prevendo a perda do bem no caso de falta de pagamento. O sistema cria também as companhias securitizadoras que adiantam recursos para as construtoras, financiados pelos compradores, através de certificados de recebíveis.
Arquivo Folha




Construtores e imobiliaristas prevêem bons lançamentos e negócios. Na foto de baixo, o presidente do Sinduscon-Norte, Atsushi Yoshii

A flexibilização nas regras do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) é outro fator positivo, acredita Ribeiro, pois possibilita financiamentos para as pessoas que já possuem imóveis e facilitam a venda para aqueles que não conseguem comprovar a renda mínima. Os seguros também ficam mais acessíveis. Mesmo assim, 98 deve repetir o número de lançamentos do ano passado, cerca de 2,4 mil unidades em Curitiba. Em 97, foram entregues oito mil unidades, o que reflete a euforia que houve no mercado no início do plano real em 95. Mas este anos o número não deve passar de três mil unidades lançadas.
Para o presidente do Sinduscon-Norte, Atsushi Yoshii, as eleições deste ano terão influência no setor. Ele acredita que será melhor que o ano passado e diz que as empresas começam a agilizar as vendas. ‘‘Elas estão procurando nichos de mercado’’, diz. Na opinião do construtor, Londrina e região vão ter muitos lançamentos imobiliários em 98.
O presidente da Associação Paranaense de Administradoras de Imóveis (Apadi), Paulo Sartor, considera que 98 vai ser um ano de muitos investimentos no setor. A instabilidade nas bolsas deve fazer do mercado imobiliário uma alternativa de investimento. Para ele, a oferta de imóveis para locação vai aumentar e o preço deve até cair. Atualmente a oferta já é grande em Curitiba, com sete mil imóveis vagos, dos quais 4,5 mil residenciais e 2,5 mil comerciais. A oferta vem crescendo de 2% a 4% a cada mês e um dos motivos é a vinda de executivos e funcionários das montadoras na região de Curitiba. Mas Sartor acredita que não haverá explosão no mercado imobiliário, o crescimento na demanda deve ser gradativo. Os imóveis mais procurados continuam sendo os mais baratos na faixa de até R$ 400.
A imobiliarista Maria Inez Barbosa, delegada regional do Secovi, em Maringá, acredita que este ano o mercado vai estar ainda mais atrelado aos rumos da política econômica. ‘‘Somente com incentivos à construção civil o mercado imobiliário como um todo vai reagir’’, sentencia. Mas ela acredita em uma melhora significativa nos negócios em 98, principalmente no setor da locação. Maria Inez diz que não fechou a empresa durante os feriados de fim de ano, e já sentiu um reflexo no mercado de locação. ‘‘Muitas pessoas estão se mudando de cidade em busca de oportunidades e isso é bom para o setor’’, comenta.
O diretor executivo de uma das maiores empresas do setor imobiliário de Curitiba, Sebastião dos Santos, diz que este ano vai ser marcante na transformação do mercado por causa da instalação das montadoras e empresas fornecedoras na região metropolitana. A previsão de chegar a cinco milhões de habitantes em cinco anos estimula os negócios. Ele considera também que mesmo que haja recessão, o mercado imobiliário da região de Curitiba terá condições privilegiadas de crescimento. A Apolar tem mil imóveis disponíveis para locação e 400 para venda. Com o crescimento da procura, Santos prevê uma valorização dos imóveis, mas logo o processo deve se inverter com novos investimentos no setor. Desde 95, a empresa vem se expandido através de franquias. Além das oito unidades que já possui, deve abrir mais quatro no primeiro semestre deste ano. (colaboraram Londrina e Maringá)

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