Congresso nacional começa amanhã
Da Redação
Novos tipos de concretos, mais resistentes, duráveis e menos prejudiciais ao meio ambiente prometem mudar o panorama de material de construção no século XXI. As novidades serão apresentadas por especialistas de vários países no 5º Congresso Brasileiro de Cimento, que começa amanhã em São Paulo, no Hotel Hilton.
Organizado pela ABCP-Associação Brasileira de Cimento Portland, entidade que reúne os fabricantes de cimento do Brasil, o congresso é considerado o maior evento da indústria do cimento do país (a 6ª no mundo), permitindo que os profissionais da área confiram as tendências de mercado, as inovações tecnológicas e os desafios enfrentados pela indústria mundial, especialmente na área ambiental.
O evento terá a presença do engenheiro Steen Rostam, da Dinamarca, que apresentará obras novas, construídas no Mar do Norte, capazes de suportar toda a agressividade da atmosfera salina sem sofrer corrosão. Trata-se, segundo Rostam, de obras de alto desempenho, feitas com cimentos especialmente dosados, que resultam em concretos mais resistentes e impermeáveis.
Conceitos próximos estão presentes no trabalho do pesquisador canadense Pierre Claude Aticin, da Universidade de Sherbrooke, que será representado pelo brasileiro Everaldo Marciano Junior, da Wabe International. Aticin defende a idéia de um concreto verde, cuja produção provoque menos danos ambientais, e que por ser mais durável, exija menos reparos, evitando demolições e novos gastos de materiais de construção. Com o uso desses concretos de alto desempenho (CAD), a sociedade do futuro vai economizar recursos naturais e evitar o desperdício de dinheiro público.
No texto, Aticin mostra que os desafios ambientais farão a diferença na competição entre os fabricantes de cimento no mundo, definindo quem permanecerá e quem será descartado no mercado. Para obter a certificação pela norma ISO 14000, as fábricas deverão ter controles rigorosos sobre as emissões de CO2 no ar, eliminar o mínimo de poluentes para a água subterrânea e minimizar a emissão de pós para as vizinhanças. Além disso, o uso de combustíveis alternativos, como pneus velhos, resíduos de petróleo, borras de tinta e outros materiais também será um fator de competitividade nos próximos anos.
O uso desses combustíveis será amplamente abordado por outro conferencista, o norte-americano Mark Terry, da Polysius (EUA), especializado no tema. Além da conferência, Terry também realizará um workshop para especialistas sobre a queima desses resíduos em fornos de cimento, o chamado co-processamento. São materiais resultantes de várias indústrias e que, caso lançados no ambiente podem gerar sérios danos à água, ao ar, e ao solo: pó de grafite, restos de plásticos e borrachas, baterias elétricas, serragem de madeira, cascas de arroz e de amendoim, óleos usados, borras de asfalto e até resíduos de biodigestores de esgotos.
No Brasil, já existem sete fábricas de cimento operando o co-processamento de resíduos, mas esse número tende a crescer graças à elaboração de uma norma técnica sobre o tema pelo Conama-Conselho Nacional de Meio Ambiente. A norma foi baseada em documento anterior produzido pela Cetesb, de São Paulo, em parceria com técnicos da ABCP e representantes das indústrias geradoras de resíduos. O objetivo é regulamentar as condições para a queima dos resíduos, evitando a liberação de poluentes para a atmosfera e, ao mesmo tempo, garantir a qualidade do cimento produzido.
Outra conferência, de Danny Lawrence, da Blue Circle, tratará dos desafios ambientais para a indústria de cimento do Reino Unido. A Blue Circle é a empresa responsável por monitorar a industria cimenteira britânica em relação às questões ambientais.
Além dos conferencistas internacionais o evento apresentará 85 trabalhos técnicos selecionados sobre temas importantes, como qualidade industrial na produção de cimento, normas internacionais de cimento e concreto e ainda a reciclagem de resíduos da construção. Como se sabe, boa parte do material retirado de demolições ou mesmo desperdiçado em obras novas é depositado em aterros sanitários ou simplesmente lançado em córregos e vias públicas. Alguns trabalhos apresentados no Congresso mostrarão técnicas seguras de reutilizar os restos de argamassas, tijolos, cerâmicas e concreto em construções ou na produção de blocos de concreto. Nos EUA, já há uma indústria regular de equipamentos e produtos de reciclagem desses resíduos e mesmo no Brasil várias experiências já foram feitas em São Paulo, Belo Horizonte e cidades menores.
A conferência de abertura do 5o Congresso será feita por Francisco Romeo Landi, da Fapesp-Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo. Landi, que já foi diretor da Escola Politécnica da USP, fará uma radiografia da pesquisa em Ciência e Tecnologia no Brasil, comparando esses dados com o desempenho de outros países do mundo.Os maiores especialistas internacionais em cimento estarão reunidos em São Paulo de amanhã até sexta-feira
ReproduçãoObras de alto desempenho, feitas com cimentos especialmente dosados, que resultam em concretos mais resistentes e impermeáveis estão entre os destaques da programação





