Da Redação
Pierre-Claude A€tcin, professor da Universidade de Sherbrooke, Canadá, revela que os ‘‘novos concretos’’ trazem benefícios não apenas técnicos e mas até sociais: ‘‘O concreto do futuro é menos agressivo ao meio ambiente e se enquadra perfeitamente às políticas de desenvolvimento sustentável. Além disso, o ciclo de vida das estruturas feitas com esse material será maior’’. A€tcin, um dos maiores especialistas mundiais no assunto, lembra que as plataformas marítimas do Mar do Norte (Noruega), construídas há 20 anos com concreto de alto desempenho (CAD), continuam em pleno funcionamento, ‘‘mesmo expostas a um dos climas mais rigorosos do planeta’’.
O pesquisador e outros grandes nomes do setor estarão em Salvador-BA, a partir de amanhã até 4 de setembro, participando do 41º Congresso Brasileiro do Concreto, promovido pelo Ibracon-Instituto Brasileiro do Concreto e patrocinado pela ABCP-Associação Brasileira de Cimento Portland. Lá, estarão analisando a verdadeira revolução tecnológica por que passa o mundo da construção civil e do concreto: edifícios de mais de 400 m de altura, como as Petronas Towers, na Malásia, pontes com 100 anos de vida útil, pavimentos com durabilidade garantida para mais de 25 anos. Todas essas novidades têm em comum o desenvolvimento técnico do material mais básico da engenharia: o concreto.
Na ponta de lança do concreto do próximo milênio, o CAD é um material compacto, de baixíssima permeabilidade e que pode atingir resistência à compressão de até 250 MPa. Para se ter uma idéia, a maioria das estruturas de concreto convencional no Brasil atinge 20 MPa de resistência. Outro exemplo de obra erguida com CAD é a Confederation Bridge, no Canadá, que, com 13 km de extensão, tem 100 anos de vida útil garantidos. O segredo de tanta qualidade, de acordo com A€tcin, está na redução da quantidade de água no concreto: ‘‘É importante controlar bem a relação água/cimento. Cada gota de água introduzida na mistura do concreto deve ser levada em conta, inclusive a umidade presente na areia’’.
Outro diferencial desse novo concreto é o aproveitamento e reciclagem de subprodutos industriais, como escória de alto-forno e cinzas de termelétricas na fórmula de produção do cimento. ‘‘Tais adições são interessantes por três razões: ganhos ecológicos, viabilidade econômica e o próprio aperfeiçoamento técnico do concreto’’, explica A€tcin.
Além das vantagens estruturais, o concreto de alto desempenho também pode ser empregado como revestimento de pisos em agroindústrias, ‘‘é quase tão compacto quanto as placas cerâmicas’’, diz A€tcin. Ele destaca ainda outros novos tipos de concreto que surgem no mercado, como o concreto com pós reativos, que é tão resistente e maleável quanto o aço, além do concreto condutor de eletricidade e do chamado ‘‘concreto silencioso’’, que, por ser auto-adensável, dispensa o uso de vibradores em sua execução.
- 41º Congresso Brasileiro do Concreto, de 30 de agosto a 04 de setembro, no Fiesta Convention Center no Fiesta Bahia Hotel, Salvador (BA). Informações: 0**11/869-2149 e 3765-0099. E-mail: [email protected]. Site: http://www.ibracon.org.brEspecialistas mundiais em concreto de alto desempenho estarão reunidos em Salvador no 41º Congresso Brasileiro do Concreto
ReproduçãoREVOLUÇÃO Pontes com mais 100 anos de vida útil e edifícios de mais de 400 m de altura: sinais da verdadeira revolução tecnológica por que passa o mundo da construção civil e do concreto

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