O V Congresso Latino-americano de Estudantes de Design terminou, em Curitiba, com saldos positivos. Para o presidente do Congresso e agora eleito também presidente da Associação Latino-americana de Design (Aladi), Ivens Fontoura, fica a essência das discussões, ou a política de fomento ao Design.
‘‘Um evento que teve diversas exposições, palestras e ainda reuniu os estudantes de design, agora deve manter acessa todas as chamas para que os estudantes e os profissionais consigam cumprir suas metas’’, constata Fontoura.
Na avaliação dele, os designer ficaram durante quase 30 anos fazendo design para eles mesmos. ‘‘Era um discurso endógeno, que teve lugar em toda América Latina e que não cumpria seu verdadeiro papel.’’
Ele explica que o primeiro parceiro do designer é o fabricante. A partir daí o produto passa a cumprir determinadas normas técnicas e de ergonomia. Mas se o produto não for vendido, acaba. ‘‘Se o consumidor não absorver, não há vendedor que o faça comprar’’, observa.
Segundo o consultor das Nações Unidas para Assuntos de Design, Tecnologia e Economia de Embalagens, Lincoln Seragini, uma das ‘‘estrelas’’ do congresso, muitas vezes a única diferença de competitividade entre os produtos é o design e a marca forte. ‘‘Só para exemplificar a importância do design, um produto na prateleira do supermercado precisa: conter, proteger, vender e promover a mercadoria.’’
No Brasil, segundo Seragini, as empresas ainda não conhecem o trabalho dos profissionais. ‘‘A Varig e o Bradesco contrataram empresas estrangeiras para suas logomarcas, mas nossos profissionais são tão bem qualificados quanto os de fora’’, afirma.
Ele alega que o Brasil não tem marca de exportação. Quando se pensa em produtos se fala em Nike, Coca-Cola, Sony, etc, mas as marcas brasileiras não estão nesse rol, portanto, não são competitivas. ‘‘Apenas agora, algumas das nossas marcas começam a ser reconhecidas na Argentina: Brahma, Hering, Garoto, e Arisco já estão na mira dos consumidores argentinos’’, conta.
As médias e pequenas empresas são o grande filão dos designers, observa. Os empresários devem começar a perceber que hoje não dá mais para copiar até mesmo por motivos legais. ‘‘As multinacionais já aprenderam. Agora é preciso convencer a todos os outros’’, argumenta. (E.M.C.)

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