Célia Baroni
De Londrina
É difícil ignorar o convite das novas linhas de sofá. Elas misturaram a elegância do desenho clássico com versão modular, facilitando a sua adequação a diferentes espaços – grandes ou pequenos. Nos novos designs, aparecem acoplados a espreguiçadeiras e pufes. O pufe que antes aparecia com a dupla função de apoio para os pés e mesinha de centro, acumula agora também a função de assento do sofá. O resultado é flexibilidade.
Dependendo do momento podem alongar o sofá, transformando-se em novos assentos. Ajuntados, formam um canto para quem está cheio de vontade de relaxar. O sofá de formas duras está out. A tendência das almofadas soltas no encosto está mais forte. Elas diminuíram em tamanho e aumentaram em número, dando volume ao conjunto.
Os sofás também estão mais profundos. O conjunto tem um efeito hipnótico. O visual sugere conforto e, só de olhar, a vontade é sentar-se e deixar se envolver, relaxar e esquecer os compromissos do dia-a-dia. Mas será que todas estas mudanças são positivas?
A decoradora e designer de móveis Marlene Ricci acredita que sim. Defende que já passou da hora dos sofás perderem a formalidade e ganharem conforto. ‘‘A casa está mais informal e pede móveis confortáveis. Com o sofá não é diferente. Ninguém mais senta de forma rígida em um sofá e não quer que ele torne isto obrigatório’’, defende.
Ela conta que, até recentemente, o sofá era um tipo de assento formal onde a pessoa não podia sentar-se à vontade e nem ficar por um período muito longo sem sofrer com o desconforto. A situação mudou e as salas de estar e de televisão se transformaram em ambientes de convivência. O fim da formalidade em família e no jeito de receber os amigos, diz, obrigou a revisão da estrutura deste móvel.
A prioridade passou a ser o conforto. ‘‘A beleza é fundamental, mas o conforto não está na estética do sofá nem no preço. Ele está no projeto e no respeito às normas de ergonomia, na qualidade e na escolha do material’’, acentua. E e a pessoa não tomar cuidado, diz, pode acabar levando para casa um enfeite com pouca utilidade.
As consequências imediatas são a dificuldade de se acomodar e dores na coluna. Diante disto, não é exagero afirmar que é difícil encontrar um sofá ideal. Ainda mais se analisarmos que, embora exista um número incontável de lojas de móveis oferecendo sofás de todos os estilos e para todos os gostos, são raros os sofás que oferecem conforto. Para piorar, nem sempre a beleza vem junto com a qualidade e a maioria dos sofás disponíveis no mercado não obedecem às normas de ergonometria.
Ao contrário das aparências, Marlene Ricci garante que os sofás mais profundos são também mais confortáveis, não prejudicam a coluna e são ideais para conversar, ler ou ver televisão. ‘‘Uma profundidade maior deixa que a pessoa sente da forma mais confortável, não importando a altura dela’’, afirma. O ajuste vem com a liberdade para colocar as almofadas na posição mais confortável.
O fator mais importante para a postura, complementa, é a inclinação do encosto do sofá. Marlene Ricci esclarece que embora as pessoas acreditem que o ângulo reto (90 graus) é o ideal para manter a coluna reta, ele deve ser levemente inclinado. O ângulo ideal entre assento e encosto do sofá é de 98 graus. Com esta inclinação, a pessoa consegue ficar sentada sem fazer esforço, podendo relaxar o corpo sem incômodo ou prejuízo da coluna.
A qualidade da espuma também é importante. Um bom sofá não pode ter a mesma densidade na espuma em todo o móvel. ‘‘Existem técnicas para definir a densidade de cada parte do sofá que devem ser obedecidas’’, informa. A designer alerta que o ‘‘caro pode sair barato’’ quando o assunto é sofá. A mão de obra de um bom estofador varia de R$ 300,00 a R$ 400,00 por assento. Mandar fazer um bom sofá de três lugares, com por exemplo, custa cerca de R$ 1.200,00 – só a mão de obra. Nas lojas, um sofá com mesmo padrão é bem mais caro.
Comprando na loja ou mandando fazer, complementa, não se deve ter medo de perguntar como o sofá foi feito e de exigir garantias. Tomados estes cuidados encontrar o sofá ideal fica bem mais fácil. A busca, conclui, vale a pena. Para ela, ter um bom sofá dentro de casa é investir em qualidade de vida.

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