Cômodos espaçosos e manutenção barata são características positivas das sobrelojas, espécie de edificação mista ou puramente comercial, comum na Europa e suas ex-colônias. As mais velhas encontram-se, basicamente, no centro das cidades e, por isso, não possuem garagem. ''Elas foram construídas numa época que o automóvel era artigo de luxo, a zona urbana era pequena e a violência permitia o estacionamento trânquilo nas ruas'', explicou o arquiteto Ronaldo Malchiaffava, de Londrina.
As primeiras sobrelojas construídas no Brasil serviam - paralelamente - à moradia (andar superior) e ao trabalho (térreo). Esta destinação ainda é muito usada. No entanto, é crescente o número de sobrados inteiramente comerciais devido à restrição de espaço e taxas condominiais elevadas nos centros urbanos. A ausência de garagem nos antigos imóveis é suprida pelos convênios com estacionamentos particulares, originados de terrenos baldios ou demolições. A despesa com esta prestação de serviço é compensada na economia da taxa condominial (gastos reduzidos com água e luz, eliminação de funcionários e respectivas encargos trabalhistas, equipamentos de segurança eletrônicos e manutenções gerais) e localização vantajosa.
O desconforto das escadas e o barulho (carros e pessoas) são os maiores empecilhos para a locação ou venda de sobrelojas. Segundo corretores imobiliários de Londrina, a falta do elevador dificulta o acesso de idosos e deficientes físicos. Isto é um limitador para moradores e varejistas. Por isso, as sobrelojas são ocupadas mais facilmente por estudantes que, na maioria das vezes não necessitam de garagem; ou prestadores de serviço (contabilistas, dentistas, consultores empresariais, engenheiros, entre outros).
Em Londrina, o aluguel de uma sobreloja, com 80 metros quadrados de área útil, no centro da cidade, fica em torno de R$ 400,00 e o condomínio na casa dos R$ 50,00. Conforme o corretor Valderci de Almeida Capelari, o metro quadrado nesta região custa, aproximadamente, R$ 700,00, ou seja, um imóvel com 160 metros quadrados é vendido, em média, por R$ 80 mil. ''E mesmo assim as ofertas são raras''.
Na opinião do engenheiro civil Nilton Capucho, a aquisição de sobreloja é um bom negócio ainda que necessite de reforma. No lugar da tubulação de ferro galvanizado ou PVC (plástico), é possível instalar uma rede de PEX (mangueira muito flexível) que elimina a necessidade das conexões. A mobilidade deste material facilita a alteração das paredes divisórias que, hoje em dia, são de gesso acartonado. ''A evolução dos produtos e técnicas de construção civil auxiliou demais a manutenção dos imóveis nas últimas décadas'', justificou.

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