Conforto acústico é questão de investimento
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sábado, 29 de abril de 2006
Betânia Rodrigues<br>Reportagem Local 
Trabalhar ou morar no centro da cidade, ao lado de bares, possuir vizinhos barulhentos e conviver próximo a canteiros de obras não é mais problema para pessoas sensíveis a ruídos. A ciência e a tecnologia criaram materiais e técnicas que isolam pelo menos parte dos sons internos e externos ao ambiente.
Conforme Ana Virgínia de Faria Sampaio, doutora em conforto ambiental pela Universidade de São Paulo (USP) e professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), o som é propagado pela matéria contida no ar (água e partículas de poeira, por exemplo) que torna-se mais leve com o aumento da temperatura. Por isso, conseguimos ouvir ruídos emitidos das ruas quando estamos no alto de edifícios.
Outro fator que facilita a disseminação do som é a topografia do solo. As ondas geradas nos fundos de vale espalham-se num raio de quilômetros. Esta é a explicação para muitos londrinenses de várias regiões da cidade que ''ouvem'' os treinos e corridas de carros realizadosno Autódromo Ayrton Senna (zona norte).
''O ideal é que a importância da acústica permeie o projeto desde sua concepção. Seguindo esta lógica, os profissionais habilitados avaliarão a localização do terreno, topografia, direção dos ventos, zoneamento urbano, Plano Diretor da cidade e o ritmo de desenvolvimento da região na qual o empreendimento está inserido. A partir daí, serão definidos os materiais e técnicas mais adequadas ao orçamento e exigências do público-alvo'', explicou a arquiteta.
É difícil encontrar um morador de apartamento que nunca ouviu o caminhar de um salto alto no andar superior, conversas mais alteradas na residência ao lado, descargas em funcionamento durante a madrugada, buzinas e motores de automóveis a qualquer hora do dia ou noite, gritos e alto-falantes. Mas, o ouvido habitua-se ao agito urbano a ponto de, ocasionalmente, esquecermos que vivemos em comunidade e produzirmos sons que, da mesma forma, incomodam os outros.
Segundo Ozires Aparecido Toloi, engenheiro civil e diretor da construtora Artenge, qualquer tratamento acústico, por mais simples que seja, é caro e altera o custo final do produto. ''Certamente agregará valor ao imóvel na medida que melhorará a qualidade de vida dos moradores. No entanto, é difícil absorver esse acréscimo sem repassar ao cliente, que pagará a diferença a partir do momento que o silêncio tornar-se uma necessidade'', comentou. O que hoje é alternativa oferecida aos clientes mais exigentes futuramente poderá transformar-se em padrão entre as construtoras que precisarão adaptar-se à realidade do mercado para sobreviverem.


