Por questões de segurança e comodidade, morar em condomínios – verticais e horizontais – é uma situação cada vez mais comum da vida moderna. Se por um lado existe o conforto de ter uma série de benfeitorias que seriam menos acessíveis de forma individual – como piscinas, espaços variados de convivência e segurança 24 horas -, morar em grupo exige uma dose a mais de boa vontade dos moradores e, principalmente, do síndico para uma convivência harmoniosa.

Com 44 apartamentos sob a sua administração, na região central de Londrina, a síndica Jozilda de Souza Lopes, há três anos no cargo, concorda que é fundamental desenvolver a capacidade de ter um bom relacionamento com todos, além de bom senso e equilíbrio. Graduada em pedagogia e psicologia, ela acredita que as duas formações acadêmicas, de certa forma, também contribuem para o bom andamento do seu condomínio. "É preciso ter ‘jogo de cintura’ na hora de uma situação de conflito.

Procuro ser objetiva e não confrontar as diferentes opiniões ao mesmo tempo. O meu papel é investigar e analisar para tomar a melhor medida, sempre baseada no regimento interno e na convenção do condomínio", pondera Jozilda, que durante 12 anos exerceu o cargo de conselheira fiscal.

Tranquila , mas "firme quando necessário", Jozilda avalia que "ser síndico exige conhecimento para administrar o imóvel e as diferenças entre as pessoas também". "Estamos lidando com um número grande de pessoas, de diferentes origens e situações. Para mim, é como se aqui fosse uma grande escola, com alunos diferentes. É uma reciclagem, um aprendizado constante e diário. E, quanto menos envolvimento pessoal, melhor", afirma a síndica. Tendo como guia básico as leis regimentares do prédio, ela ainda sugere que o administrador de prédios evite abrir "exceções às regras" que possam dar margem a ideias de "benefícios individualizados". "Sinto que as pessoas estão muito carentes e, de uma forma infantilizada, às vezes só querem ver os seus direitos e esquecem dos seus deveres. Tento manter a calma e mostrar que as regras são necessárias para uma vida em comum de qualidade. Isso tem a ver com autonomia", observa. "E quando as emoções estão muito afloradas, o melhor a fazer é deixar a pessoa abalada emocionalmente se expressar e esperar um pouco para tomar qualquer decisão", aconselha. Ciente da sua função administrativa, ela ainda pontua que manter a manutenção do prédio em dia reduz muito o risco de ser solicitada em horários impróprios. "Não tem jeito; quando a gente assume esse cargo, transforma-se em ‘plantonista 24 horas’ mas, com a manutenção adequada do prédio, a possibilidade de um cano estourar, de repente, na madrugada, é menor. Temos que estar atentos a tudo", conclui.

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