Conferência debate construção sustentável
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de julho de 2004
Agência Brasil 
São Paulo - O uso racional da água, eficiência energética, políticas públicas, e experiências de técnicas inovadoras em diferentes países foram tema da I Conferência Latino-Americana de Construção Sustentável, realizada semana passada em São Paulo e que reuniu profissionais de diversos países. A conferência integra a programação de cinco encontros regionais organizados pelo Programa de Nações Unidos para o Meio Ambiente (Pnuma), como preparação para a conferência Sustainable Building, que será realizada em Tóquio em 2005.
Para Vanderley John, professor associado do Departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica da USP, e que coordenou o evento, o desafio desses encontros preparatórios é discutir soluções para transformar a construção civil em um setor mais sustentável.
A construção civil representa 15% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e é o setor que mais consome matéria-prima em qualquer país. Só na América Latina, o consumo do total de recursos naturais extraídos chega a 50%. A geração de resíduos de construção e demolição no Brasil é superior à do lixo urbano, com estimativas de 450 quilos para cada habitante, em um ano. A indústria cimenteira produz 40 milhões de toneladas de cimento, contra 1,5 milhão de toneladas da indústria automobilística. Estima-se que esse cimento, por usa vez, dê origem a outras 280 milhões de toneladas anuais de produtos.
Segundo John, a construção civil é um grande consumidor de energia elétrica e água, além de transformar solo permeável em impermeável, agravando o potencial de enchentes. O professor explica que com as tecnologias existentes, seria possível reduzir em 50% o consumo de energia elétrica dos edifícios e escritórios apenas com alterações de projeto.
John acredita que, para tornar o setor sustentável, é necessário reduzir as perdas e custos e diminuir o impacto ambiental. Para ele, a sociedade brasileira não está consciente da importância de tornar a construção civil mais sustentável. Ele criticou, por exemplo, a ausência de metas para os setores industriais, inclusive para a construção civil, na Agenda 21 brasileira para as Nações Unidas.


