Arquivo Folha/Kraw PenasA inadimplência atinge cerca de 30% dos condomínios em Curitiba, incluíndo imóveis de alto luxoAs administradoras de condomínios de Curitiba estão adotando estratégias diferenciadas para tentar conter os índices de inadimplência no pagamento das taxas. Algumas empresas estão cobrando percentuais extras para cobrir os ‘‘buracos’’ deixados no caixa dos condomínios. Desde janeiro, as taxas de administração de alguns edifícios chegaram a ficar 10% mais caras, na tentativa de formar um fundo de reserva para compensar os calotes.
A inadimplência está atingindo atualmente cerca de 30% de todos os condomínios de Curitiba, incluindo até mesmo os edifícios de alto luxo. Segundo o diretor de Administração de Condomínios do Sindicato das Empresas de Compra, Venda e Administração de Imóveis (Secovi/PR), Carlos Alberto Luciani, a falta de pagamento já vinha sendo comum desde o início do Plano Real. A situação ficou mais grave, afirma, desde janeiro deste ano, depois de contabilizadas todos os gastos de Natal e Ano Novo. ‘‘Faltou capital para pagar até mesmo as contas básicas’’, diz.
Muitas administradoras, que até então cobriam os calotes, estão passando a dividir entre os condôminos as falhas de pagamento de alguns moradores. O resultado - inevitável, segundo os administradores e síndicos -, é o aumento generalizado das taxas. ‘‘Está impossível manter o caixa em dia’’, afirma o diretor do Secovi.
Nas administradora Bergonzini Imóveis, a gerente do setor de condomínimos, Rosecléia Alves da Silva, diz que é difícil apontar um prédio que não possua moradores inadimplentes. Em alguns casos, conta, há moradores que há mais de dois anos não pagam as taxas. ‘‘Hoje é uma coisa normal e corriqueira’’, afirma.
Até dezembro do ano passado, a administradora cobria as falhas de pagamento, mas precisou mudar de sistema depois de fechar seu caixa com seguidos prejuízos. Atualmente, a Bergonzini faz o rateio do déficit entre os moradores até que ação judicial de cobrança seja julgada. Depois, segundo a gerente da administradora, o dinheiro é devolvido.
A inadimplência passou a ser tão comum no setor que muitas imobiliárias, no momento de fechar contratos de venda e locação de apartamentos, exigem comprovantes de pagamento das taxas de condomínios. ‘‘São raras as vezes que encontramos alguém com estes documentos em dia’’, afirma o proprietário de uma imobiliária.
Na próxima semana, o Secovi vai promover um curso para síndicos com dicas sobre como conter gastos. Segundo o diretor do sindicato, a redução das taxas talvez consiga dimunir os índices de inadimplência. Entre as dicas estão a redução de funcionários e de despesas com luz e água.

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