Condomínios buscam opções para racionalizar gastos
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sábado, 06 de setembro de 2003
Betânia Rodrigues<br> Reportagem Local 
Viver em condomínio não é fácil nem barato em lugar nenhum. Com o aumento das taxas públicas, dólar, petróleo, impostos, etc, a situação ficou ainda pior. Demitir funcionários e racionalizar as despesas têm sido as principais estratégias usadas pela maioria dos condomínios de Londrina. De janeiro a julho deste ano, 850 porteiros e faxineiros de condomínios foram demitidos na cidade. No mesmo período do ano passado, o número de rescisões contratuais entre a categoria foi pouco mais de 500.
Segundo João Paulo de Barros Silveira, coordenador do Conselho Técnico dos Síndicos de Londrina e região, os condomínios estão trocando os profissionais pelo sistema de alarme monitorado que, em muitos casos, inclui cerca elétrica, portão e controle de acesso eletrônico. ''O salário dos funcionários acrescido dos encargos trabalhistas e benefícios chega a responder por 70% dos gastos de um prédio residencial. Por isso, outra alternativa para reduzir custos é a negociação com os fornecedores'', avaliou Silveira. Em maio, esses profissionais tiveram uma reposição salarial de 19,36% em quase todo Estado.
Para o presidente do Sindemcon em Londrina e região (representante dos funcionários de condomínios), João de Deus Correia, a dificuldade de negociação entre patrões e empregados é consequência da política econômica que vigora no País. ''Tudo subiu e por que o nosso salário iria ficar para trás?'', acrescentou. Na capital e litoral, a data base da categoria é outra e a taxa condominial também é um pouco maior em relação às demais cidades do interior. Em Londrina, a taxa condominial tem variado entre R$ 60,00 e R$ 1.000,00.
O aumento da inadimplência é outro problema administrado pelos síndicos de todo Brasil. Desde que o novo Código Civil entrou em vigor no início do ano o número de inadimplentes cresceu. De acordo com Silveira, até dezembro do ano passado eles não passavam de 10% e hoje chegam a 30% nos 1,8 mil condomínios comerciais e residenciais de Londrina. ''A redução de 20% para 2% na multa por atraso incentivou as pessoas a deixarem a taxa de condomínio atrás de outras despesas como, por exemplo, cheque especial e escolas particulares'', explicou.
A consultora de moda Magda Camilo está em Londrina há seis meses e disse que demorou a encontrar uma taxa de condomínio que fosse razoável. Há pouco mais de dois meses, os moradores do prédio onde ela mora decidiram demitir o porteiro noturno e adotar o sistema de alarme eletrônico. Com isso, eles esperam diminuir a despesa mensal de R$ 150,00 para R$ 90,00 por unidade. ''Levando em conta que o prédio tem poucos atrativos, acho que foi um bom negócio'', opinou.
Ao contrário dela, a assistente social Luzia Ribeiro prefere manter o porteiro em função da segurança. Em seu prédio, os condôminos arcam com uma despesa que beira os R$ 250,00 para ter vigilância 24 horas por dia. Na sua opinião, a melhor maneira de reduzir os custos é conscientizar as pessoas a economizar o máximo em água, luz e gás. ''Com isso, ajudaríamos também a manter, pelo menos, um posto de trabalho'', justificou.


