Artefatos de concreto como telhas, blocos e vigas pré-moldadas não precisam mais submeter-se à ditadura do cinza. Eles são o principal alvo da ofensiva do óxido de ferro sintético, pigmento que pretende resgatar a cor na construção civil brasileira, sem tintas, e sempre que o concreto for empregado aparente.
O pigmento, inventado pela Bayer - empresa alemã mais conhecida por sua produção farmacêutica e veterinária -, traz para o concreto a conquista da cor como possibilidade estética e de qualidade. Em especial para os blocos, já produzidos em diferentes texturas para serem usados também como elementos arquitetônicos.
Acrescentado na hora de produção dos artefatos, na proporção de 3 a 5% do cimento utilizado, o pigmento garante cor estável e duradoura ao produto, adicionando praticamente nada ao processo industrial de fabricação. Em vez de cobertura superficial, a pigmentação conferida pelo óxido de ferro tem, segundo os fabricantes, a durabilidade da própria obra.
Originalmente amarelo, o óxido de ferro, com a calcinação, chega a cor vermelha. O preto é obtido de diferentes formas (através de fórmula zelosamente não divulgada pela Bayer), e da mistura em variadas proporções dessas três cores básicas - amarelo, vermelho e preto - resulta toda uma ampla gama de tonalidades. No Brasil esse arco-íris chega a quase 50 tons.
Produzido em Porto Feliz, cidade do interior de São Paulo, o produto apresentado mundialmente em pó, pasta ou granulado, está sendo colocado no mercado brasileiro apenas nas duas primeiras versões. Em relação ao custo, os fabricantes enumeram primeiro os benefícios do produto (o alto poder de recobrimento) e o grande consumo pelo mundo afora. Dizem eles que se fosse caro, ‘‘a construção do mundo desenvolvido, cuja maior preocupação é o custo, não estaria consumindo o tanto que consome’’. (L.B.)

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