Fugir dos modismos e analisar 'na ponta do lápis' as chances de ganho são regras básicas para o investidor imobiliário. A compra de chácaras para locação, observada nos últimos anos em Londrina, caracteriza perfeitamente o efeito 'manada' no qual todos seguem a mesma direção. O risco dos afoitos é acumular as despesas mensais na espera dos clientes que possuem uma lista de opções.
Segundo a corretora de imóveis Neli Alves de Oliveira Camargo, a locação de imóveis para eventos exige tempo e dedicação do proprietário porque a concorrência é grande. ''O segredo é diferenciar seu produto pela manutenção e benfeitorias que atraiam interessados e, ao mesmo tempo, valorizem o imóvel'', opinou. ''Na verdade, esse é o meu sonho, mas ainda não tenho capital para tanto'', confessou Neli.
Atualmente, o metro quadrado da região Sul de Londrina é o mais valorizado do município em virtude das dimensões dos terrenos, proximidade aos lagos Igapó I e II, Shopping Catuaí, acesso fácil às universidades e centro da cidade. Segundo o corretor de imóveis rurais Carlos Adelmo Pedrosa Costa, essa unidade de medida custa, em média, R$ 400,00 naquela área. Para ele, uma chácara destinada a eventos necessita de, no mínimo, 300 a 400 metros quadrados para oferecer um salão de festa, churrasqueiras, banheiros, cozinha equipada e estacionamento. ''Desde outubro, o mercado está parado. A falta de dinheiro produz somente a especulação'', comentou.
Conforme a corretora de vendas Laiz Maria Sarmiento, o número de interessados em chácaras é, proporcionalmente, menor em relação a apartamentos, casas e estabelecimentos comerciais. ''Existe cliente para o imóvel vazio e o estruturado e a vizinhança a outras chácaras não é empecilho. As únicas preocupações são o acesso fácil ao centro e a distância de favelas'', disse Laiz.
Custeio - Os locadores de chácaras esperam, ao menos, garantir o custeio do imóvel com o negócio. Mas, em determinados casos, a concorrência impede esse objetivo. O farmacêutico Licinio Madeira, por exemplo, não compreende como algumas pessoas esquecem de considerar custo e benefício quando alugam um imóvel. Ele cobra R$ 250,00/dia daqueles que desfrutam das piscinas (adulto e infantil), vestiários com ducha quente, dois parques infantis, minicampo de futebol suíço, estacionamento coberto para 30 carros, churrasqueiras, fogão à lenha, salão para 50 pessoas com mesas e cadeiras à disposição em sua propriedade. ''Para manter essa estrutura em pleno funcionamento gasto com jardineiro, piscineiro, água, luz, telefone, cerca elétrica e alarme. No entanto, muita gente prefere pagar R$ 150,00/dia por uma chácara muito aquém da minha'', reclama.
A desmobilização dos amigos de churrasco levou o advogado Celso Garla a alugar sua chácara nos finais de semana disponibilizados pela família. Isso ocorre há três anos e, até agora, a locação não custeia as despesas do imóvel que foi adquirido há 20 anos. ''Não penso em vendê-la, mas hoje em dia não aconselho o investimento no ramo imobiliário. Dizem por aí que uma chácara proporciona duas alegrias: a primeira na compra e a outra na venda'', brinca o advogado que, ultimamente, loca a propriedade para aniversários e acomodação de famílias que chegam à cidade para formaturas e casamentos.
O agricultor Marcelo de Andrade Campanelli encontrou na locação da chácara pertencente à mãe uma idéia para amenizar as decepções com o campo. Segundo ele, todo o dinheiro obtido com o negócio é revertido em benfeitorias no imóvel. Para transformá-la, realmente, numa fonte de renda, Campanelli acredita que precisa ampliar a casa, instalar um campo de futebol suíço e criar um site. ''Imagino que o retorno do investimento surgirá a médio prazo. Até lá, continuarei alugando para eventos e acomodações como, por exemplo, de participantes da Feira Agropecuária''.

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