Conceito de casa segura é universal
Célia Baroni
De Londrina
A idéia do significado de morar em uma casa segura está mudando. A segurança deixou de ser encarada apenas como a necessidade de evitar a invasão indesejada da área interna da casa, para se transformar em um novo modo de morar. Dentro deste novo sistema de entender o residir, casa segura é aquela projetada e decorada para que seu interior ofereça o menor número de barreiras possível. A prioridade é facilitar a vida dos moradores oferecendo condições de ambientes seguros para todas as idades e situações.
O assunto esteve em pauta em um seminário sobre Design Universal organizado pela Associação Brasileira de Arquitetos de Interiores e Decoradores (ABD). O evento aconteceu em Curitiba na semana passada e contou com a participação da arquiteta e urbanista carioca, Cybele Monteiro de Barros, considerada uma especialista no assunto. A casa segura interessa a todos. Este projeto permite flexibilidade porque é pensado para adaptar-se a todas as necessidades cotidianas, frisa.
Ela explica que o conceito não é novo, mas sempre teve seu uso limitado a projetos direcionados para pessoas especiais (portadoras de deficiência). Todos temos limitações físicas, grandes ou pequenas, em algum ou vários momentos da vida, diz. A arquiteta lembra que 30% dos atendimentos do Sistema Único de Saúde, em todo o Brasil são consequência de acidentes domésticos (a maioria quedas). A maioria das vítimas são idosos, vindo em segundo lugar as crianças.
Cybele Barros explica que a elaboração do projeto de uma casa segura segue através de três caminhos: observação da circulação, utilização dos espaços e observação do alcance visual e manual. Para ela, reduzir o desgaste físico desnecessário e oferecer uma estrutura física que diminua o risco de acidentes através de um projeto coerente é uma questão de lógica.
A arquiteta cita como exemplos a necessidade de evitar uma construção cheia de quinas e trocar as escadas e desníveis por rampas com as medidas corretas (inclinação e material antiderrapante). A medida padrão das portas (70 centímetros de largura), comenta, é inadequada porque facilita acidentes e impede a passagem de uma pessoa em uma cadeira de rodas.
O assunto é tão sério que, na Europa, a largura das portas é regulamentada com uma centimetragem entre 90 e 1 metro de largura. Em alguns países, é proibido fazer portas com abertura para dentro do banheiro. A medida é para facilitar o socorro a pessoas que sofrem quedas nos banheiros e precisam de atendimento médico.
A explicação é simples. A porta que abre para fora do banheiro pode ser retirada com facilidade. Já a que abre para dentro precisa ser arrombada; oferece resistência e pode ferir ainda mais a pessoa que precisa receber atendimento.
Cybele Barros acrescenta que os arquitetos e decoradores brasileiros têm sensibilidade e estão conscientes da importância de adotar este novo sistema. O desafio, argumenta, ainda está em trazer para dentro da casa os equipamentos para um projeto deste tipo. Para os fabricantes nacionais, produzir os materiais e equipamentos necessários em escala suficiente para atender o mercado da construção ainda é uma novidade.





