Casas e apartamentos pequenos. Apesar de não haver estatísticas oficiais, segundo o Instituto Paranaense de Pesquisa do Mercado Imobiliário (Inpespar) essa é a grande tendência do mercado imobiliário atualmente. Isso está acontecendo porque a classe média está, cada vez mais, adotando esse padrão de imóvel para morar. A média da metragem dessas residências é de 80 metros quadrados. E não é só a falta de dinheiro que está motivando essa diminuição de tamanho nos imóveis. A facilidade de manutenção e o maior investimento em projetos pessoias também ajudam a inpulsionar essa tendência.
''Até uns 15 anos atrás, era comum as pessoas de classe média procurarem apartamentos grandes para morar. Hoje, não existe mais isso por falta de dinheiro e também por praticidade'', explica o presidente do Inpespar, Luiz Valdir Nardelli. Segundo ele, os apartamentos de dois quartos são os campeões de procura. E isso vale tanto para compra quanto para locação. O preço é uma das principais razões para a grande procura por esses imóveis. O custo deles, além de mais acessível, geralmente se adequa melhor ao orçamento de quem precisa comprar por meio de financiamentos.
O presidente do pregão imobiliário do Secovi de Londrina e vice-presidente do Sindicato dos corretores de imóveis de Londrina (Sincil), José Carlos Delalibera, conta que os imóveis residenciais com cerca de 250 metros quadrados já são bem menos procurados. ''Temos uma oferta pequena de imóveis residenciais com até 80 m2, uma vez que a demanda é grande. Já os imóveis um pouco maiores têm bastante opções'', afirma. Porém, como essa ''onda do compacto'' está atingindo principalmente a classe média, a procura pelos grandes imóveis, acima dos 400 m2, continua no mesmo patamar.
A estudante universitária Ana Paula Bonini é um exemplo entre tantos que optou por um imóvel pequeno. Ela mora com mais duas pessoas em um apartamento alugado de cerca 60 m2 e se diz satisfeita. ''Optamos por um apartamento pequeno porque é mais viável financeiramente. E apesar de o imóvel só ter dois quartos, nós estamos bem instalados'', conta. Segundo ela, o único incoveniente são as áreas de serviço, como cozinha e lavanderia, que são muito pequenas e por isso incômodas de usar.
O ramo da construção também está sentindo essa mesma transição no mercado de imóveis. Segundo o presidente da Associação dos dirigentes de empresas do mercado imobiliário (Ademi) e vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção (Sinduscon) na área da indústria imobiliária, Volmir Selig, há um grande número de construtoras investindo nesse tipo de imóvel, já que há uma grande procura. Mas ele alerta: ''Quem está construindo esse tipo de imóvel precisa cuidar com a saturação futura. Daqui alguns anos, o mercado pode não absorver mais esse grande número de imóveis pequenos''.
Segundo dados do Sinduscon de Curitiba, das 4124 unidades residenciais concluídas em 2002 na cidade, 2285 possuem entre 50 e 100 metros quadrados, sendo que a maior parte, 1268, estão entre 51 e 75 metros quadrados. Isto significa que 55% dos imóveis residenciais construídos na capital do Paraná se encaixam na tendência do compacto. Em Londrina ainda não há pesquisas que aponte esses números. Porém, quem está no mercado afirma que a cidade está seguindo o mesmo caminho. ''A procura por imóveis com metragem menor e consequentemente com valor menor está cada vez maior em Londrina. Por isso as construtoras estão investindo bastante neste tipo de empreendimento'', afirma o proprietário da Construtora Local, Herbert William de Souza Campos.

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