Como lidar com 'doenças' das paredes
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sábado, 30 de maio de 2015
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Paredes também podem "adoecer" e comprometer a aparência de qualquer ambiente. Patologias como mofo, fissuras e estufamento, entre outras, podem surgir em qualquer superfície, seja alvenaria, gesso, metal ou madeira. De nada adianta fingir que elas não existem e, pintar por cima, é como jogar a sujeira para debaixo do tapete. Essas patologias precisam ser tratadas de forma profissional e adequada antes de a superfície receber qualquer acabamento. Contar com um pintor profissional é fundamental e, em São Paulo, funciona desde o ano passado a Universidade Futura do Pintor que oferece cursos regulares na área de pintura imobiliária. Não detectar previamente os problemas e as soluções mais indicadas acarretará em trabalho dobrado, uma vez que as patologias irão reaparecer na superfície.
"O primeiro passo é avaliar a qualidade da superfície para um bom resultado da pintura. É importante que o profissional seja capacitado para escolher o melhor tratamento a ser realizado", afirma Felipe Comelatto, que é técnico em produtos da Futura Tintas, fabricante nacional de tintas, vernizes, esmaltes, massas e resinas.
Comelatto esclarece que cada problema exige um procedimento diferente, o que aumenta a importância da qualificação do pintor. "Para o tratamento de superfícies com mofo, por exemplo, é necessária a eliminação por meio da limpeza com água sanitária, diluída 1:1 com água limpa. Somente após esta limpeza, seguida do enxague e secagem da parede, é que podemos aplicar a tinta. Para fissuras é necessário aplicar tinta emborrachada ou outros produtos específicos para essas lesões", explica.
Outro problema bastante comum são os estufamentos da pintura, normalmente decorrentes de infiltrações, e que se caracterizam por pedaços da pintura que caem juntamente com o reboco. "É comum nas casas novas não fazerem o tratamento de impermeabilização e isso pode ocasionar a infiltração, que pode surgir até mesmo do solo, com a umidade passando para o tijolo do alicerce. Quando isso acontece, a camada de tinta estufa porque a umidade tem de evaporar e empurra para fora", exemplifica. No caso do descascamento, quando sai apenas a película da tinta, a aplicação da tinta base em parede suja com pó pode favorecer a esse tipo de problema. "A correção pode ser feita com massa acrílica, polimento com lixa e limpeza com pano úmido antes da aplicação da tinta", orienta Comelatto.
Segundo ele, é importante reforçar que de acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas é necessário esperar 28 dias para a aplicação da pintura, após corrigir a infiltração e fazer o novo reboco. "Isso é necessário porque durante esse período um gás que é expelido pelo reboco, durante a secagem, pode agredir o pigmento da tinta", informa o técnico. "Quando esse tempo não é respeitado, ainda pode acontecer o que popularmente as pessoas falam que a 'tinta desbotou'", acrescenta.
Fissuras e trincas também merecem atenção e o técnico alerta para a diferenciação dos problemas: a fissura, chamada também de "pé de galinha", ocorre na parte de cima do reboco e pode ocorrer como consequência da variação de temperatura ou reboco fraco (com menos cimento). Já a trinca é considerada dessa forma a partir de três milímetros de largura e está relacionada a algum problema estrutural causado por excesso de vibração da rua e/ou deslocamento de piso e alicerce, sendo necessário a avaliação de um engenheiro civil. Para cada um dos problemas, um tipo de tratamento é indicado.
Para evitar que possíveis patologias surjam nas construções, quando a superfície é nova e ainda não recebeu nenhum acabamento, também é importante que o pintor tenha conhecimento sobre os materiais mais adequados para cada tipo de parede.
Hoje é possível encontrar dois tipos de paredes mais usadas em construções: alvenaria e gesso acartonado. Por serem estruturalmente diferentes, existe uma forma de preparação para cada tipo de superfície. Na parede de gesso, por exemplo, pode-se aplicar tinta para gesso ou tintas tradicionais. "Mas, neste caso, é necessário aplicar um fundo preparador como primeiro passo, devido à presença de partículas soltas que vão prejudicar a adesão da tinta", recomenda Comelatto.
Já em uma parede de alvenaria, pode-se fazer três tipos de procedimento: usar o fundo (selador ou preparador) e fazer o acabamento (tinta ou textura); aplicar o fundo e a massa e só depois o acabamento; ou aplicar a massa e finalizar com o acabamento. "A especialização é um diferencial, pois o profissional deve saber de seu cliente na questão do uso dos materiais", finaliza o técnico em produtos. Mais informações sobre a Universidade Futura do Pintor pelo site universidadefutura.com.


