Como fica o mercado imobiliário?
PUBLICAÇÃO
sábado, 02 de novembro de 2002
Ligia Barroso<br> Especial para a Folha 
Depois de confirmar em seu primeiro pronunciamento como presidente eleito, o compromisso com o setor da construção e as suas metas para acabar com o déficit habitacional, analistas econômicos, empresários e especialistas da cadeia produtiva da construção civil e imobiliária, argumentam que serão efetivamente as primeiras ações do governo de Luiz Inácio Lula da Silva que determinarão o desempenho do mercado imobiliário brasileiro em 2003.
''O Brasil possui fundamentos econômicos sólidos e uma economia forte, com potencial para se desenvolver sozinha, desde que a situação seja de estabilidade'', opinou Daniel Citron, presidente da TSM joint venture entre a norte-americana Tishman Speyer Properties e a construtora brasileira Método Engenharia. E nesse cenário, segundo a avaliação de Citron, ''o mercado imobiliário poderá consolidar sua posição como um dos principais pólos de atração do investimento internacional, gerando empregos através do estímulo à construção civil''.
O presidente da TSM lembrou, em entrevista à imprensa nesta semana, que na última década o mercado imobiliário brasileiro passou por uma profunda profissionalização provocando, além de um incremento em termos de produtividade e de qualidade, também o interesse de investidores internacionais. ''Para que o nosso país possa aproveitar esse potencial, basta uma pequena sinalização de melhora na economia, como a redução da taxa de juros''.
Com base nos dados coletados e analisados durante sua campanha, o agora real Governo de Lula vai priorizar a saída do papel do Projeto Moradia Digna, que tem como uma das prioridades financiar a população com renda familiar de até 12 salários mínimos e as regiões onde o déficit habitacional é maior. As principais fontes de recursos serão o FGTS e dotações do Orçamento Geral da União.
''Tudo é uma questão de prioridade e se o governo realmente quiser, ele pode resolver o problema'', comenta o presidente, em Londrina, do Su© nduscon (sindicato que representa o setor), José Roberto Hoffmann. Segundo ele, a indústria da construção civil trabalha hoje com 20% da capacidade de produção e poderia ser aquecida com investimentos em moradias populares. Hoffmann informa que para a construção de uma casa de cerca de 50 metros quadrados são gerados quatro empregos por um período de três meses.
Hoffmann destaca, no entanto, que a preocupação do setor é que esses empregos que venham a ser criados sejam formais, realimentando o sistema financiador da moradia popular, que utiliza recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). (Colaborou Benê Bianchi)


