Há algumas décadas, era bastante comum encontrar trabalhadores dos canteiros de obras em plena atividade calçando sandálias de dedo, sem equipamentos de segurança e muito menos usufruindo de direitos trabalhistas e outros benefícios que lhes são garantidos por lei. A falta do cumprimento de medidas de segurança, além de causar acidentes de trabalho, pode levar à morte em casos mais críticos. No entanto, essa situação está mudando.
Erradicar acidentes nos canteiros de obra e prezar pela qualidade de execução dos trabalhos e a saúde dos trabalhadores são algumas das metas do comitê chamado Incentivo à Formalidade, que o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Paraná (Crea-PR) realiza em parceria com Sindicato da Indústria da Construção Civil do Norte do Paraná (Sinduscon á- Norte PR) e Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil (Sintracon). ''Nesse ano, mais de 90 obras foram visitadas em Londrina e região'', afirma Denise Salton, engenheira de segurança e integrante do Comitê . As visitas verificam o cumprimento da Norma Regulamentadora 18 (NR18), que apresenta medidas para segurança, de saúde e trabalhistas para profissionais da construção civil.
Sem destino divulgado, para não dar brechas a fraudes, semanalmente são visitados canteiros de obras, que podem ser obras públicas ou particulares. Nesses locais são verificados desde a documentação necessária para a execução da obra, uso de equipamentos de segurança e condições das estruturas de trabalho, como banheiros e refeitórios. Caso haja alguma irregularidade, os responsáveis pelas obras serão notificados para fazerem as intervenções necessárias e têm prazo de uma semana para apresentar ao Sinduscon os documentos que comprovem as mudanças exigidas. Caso isso não aconteça, as irregularidades encontradas serão encaminhadas ao Ministério do Trabalho, que tomará as medidas necessárias.
De acordo com a engenheira, empreteiras e construtoras têm se conscientizado sobre o uso de equipamentos de segurança. Segundo ela, a situação é mais crítica quando não existe uma empresa séria por trás da obra. ''É frequente chegarmos na obra e não encontramos a estrutura necessária'', afirma. Entre as irregularidades mais encontradas é a ausência de proteção na serra de mesa e sinalização para materiais elétricos e andaimes.

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