O diagnóstico veio do comitê de mercado da construção da Associação Brasileira do Alumínio (Abal): a compra de produtos pelo menor preço, a ausência de arquitetos como contractors durante todo o período da obra e a escassa convocação de consultores, para acompanhar os serviços são os principais fatores (negativos) que afetam diretamente a qualidade de esquadrias e revestimentos de alumínio na construção civil brasileira.
Durante a palestra Qualidade em Esquadrias e Revestimentos de Alumínio, realizada em São Paulo na semana passada, o engenheiro civil e consultor Nazir Abdo foi enfático. ‘‘A compra pelo menor preço, embora tenha custo inicial mais baixo, gera maiores despesas ao longo do tempo, exigindo constante manutenção. Da mesma forma, o uso do arquiteto como contractor, prática comum na Europa e Estados Unidos, mas pouco frequente no Brasil, garante a correta execução de serviços e o seu custo de participação acaba por se diluir no orçamento da obra’’.
E por último, mas não como item menos importante, Abdo argumenta que a presença do consultor seria a garantia de maior rigor na fiscalização e inspeção dos produtos. ‘‘Porém, a maior parte das obras no País é executada sem a devida atenção para esses três pontos. Assim, a correção de patologias em obras prontas representa a maior parte da demanda dos serviços’’, comenta o engenheiro que também dirige a consultoria Alaxis Tecnologias Inovativas.
Durante o evento, o consultor citou os resultados de pesquisa do Research in Construction Institute (Canadá) que apontou que, anualmente, 380 milhões de dólares canadenses são destinados a correções de infiltração e corrosão nas estruturas de edifícios.
Para evitar problemas desse tipo, Abdo desenvolveu metodologia própria para avaliar o sistema de qualidade na execução de esquadrias de alumínio. São sete itens apresentados em questionários que podem ser checados pelo inspetor de obra, com recomendações específicas para os diferentes tipos de janelas e esquadrias.
A Folha Imobiliária publica algumas das recomendações, mas o trabalho completo sobre qualidade em esquadrias e revestimentos de alumínio preparadas pelo consultor Nazir Abdo podem ser obtidas, em disquete, na Abal, Rua Humberto I, 220, São Paulo. Encomenda pelo telefone (11) 5084-1544 ou pelo endereço [email protected]
- Documentos de referência: como projeto e memorial arquitetônico, plantas, projetos aprovados de esquadrias, cálculos estruturais de esquadrias e instruções de montagem devem estar disponíveis na obra para consultas;
- Equipamentos e ferramentas: devem ser provisionados andaimes, prumos, teodolitos, esquadro, linha e nível, entre outros;
- Inspeção da produção em relação à execução de colagens estruturais de vidros e pele-de-vidro: verificar qualidade, origem, certificados de análise e validade dos materiais e produtos de subfornecedores, principalmente alumínio, vidros, acessórios de movimentação, silicone estrutural, fitas adesivas estruturais e elastômeros.
- Recepção e estocagem de esquadrias e vidros: descarga deve ser feita sem chuvas; em caso de chuva, material deve estar coberto com lona e guardado em local seco, não sujeito a poeira de obra, evitando-se principalmente cimento e cal;
- Montagem da esquadria na obra: verificar condição de prumo, horizontalidade e angularidade de vãos e aberturas; inspeção de ancoragem, peças de ligação e montantes em fachadas-cortina e envidraçamento estrutural; inspeção da tensão de aperto de porcas com chave calibradora ou outro método normalizado;
- Limpeza: produtos químicos podem atacar o alumínio, principalmente hidróxidos, cloro e ácidos (fosfórico, sulfúrico, nítrico, nitroso e oxálico). Fitas adesivas não podem ser aplicadas sobre o alumínio, pois a cola poderá atacar e manchar a superfície;
- Inspeção das esquadrias após a montagem: observar condição de aperto de aparafusamento e rebitagem aparentes das esquadrias e dos acessórios de movimentação e segurança. Verificar aplicação e possível falta ou falha de colocação de gaxetas de elastômeros, fitas vedantes ou escovas de polipropileno.

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