Morar ou trabalhar na antiga área central de Londrina tem várias vantagens, como a proximidade com bancos, igrejas, supermercados e escolas, mas também pode ser sinônimo de dor de cabeça quando o assunto é ter um espaço seguro para guardar o próprio carro. Como a maioria dos prédios antigos não foi construído com o número de garagens equivalente ao de apartamentos – até mesmo motivado à época pelo custo mais alto dos veículos e o menor acesso a esse bem de consumo -, encontrar uma garagem disponível é quase como achar uma "agulha no palheiro". Tal cenário acabou por motivar um comércio aquecido de compra e locação de garagens em prédios residenciais e comerciais da região, além da utilização de estacionamentos particulares da redondeza, bastante concorridos também.

Um bom exemplo dessa situação é o caso do Condomínio Folha de Londrina, construído em 1967, que engloba o Edifício Residencial Angélica, o Edifício Comercial Mônaco, a Galeria do Vila Rica e a sede da Folha de Londrina, totalizando 175 unidades (entre apartamentos e salas comerciais) e com 84 vagas de garagens disponibilizadas para o uso comum, em garagem em subsolo, com dois pavimentos. Já no Centro Comercial, que fica ao lado do complexo de construções, são 220 apartamentos para 80 vagas, compartilhadas também no mesmo subsolo do Condomínio da Folha de Londrina.

"A demanda é muito grande. Todos os dias atendemos pessoas interessadas em comprar uma garagem, que pode variar, em média, de R$ 35 mil a R$ 50 mil, conforme a localização. Atualmente temos uma vaga dupla do Centro Comercial sendo comercializada a R$ 90 mil", informa o corretor de imóveis Walter Oliveira Júnior, da Beth e WJR Imóveis. "Ter uma garagem hoje em dia no Centro é um artigo de luxo", acrescenta.

E foi pensando como opção de investimento que a administradora de condomínios Cristhiane Negri Bussadori, que possui escritório no Edifício Mônaco e já tinha uma garagem, decidiu comprar no local mais uma vaga recentemente. "É o tipo de negócio que realmente vale a pena e comprei para locação, ainda mais hoje em dia em que muitas famílias têm mais de um carro. A procura é muito grande", confirma. "Isso ficou ainda pior depois da última revitalização da Concha Acústica, pois com as mudanças realizadas houve a extinção de aproximadamente 30 vagas no local que eram utilizadas pelos moradores da região. Na época, houve várias manifestações, até mesmo com abaixo-assinados, mas nada adiantou", lembra a administradora.

A pedagoga aposentada Ângela Pedrini é moradora do Edifício Bosque há quase dois anos e lamenta o fato de não ter a comodidade de ter uma vaga para estacionar no prédio em que mora. "É horrível. Normalmente deixamos o nosso carro no local do trabalho do meu marido, que fica a cinco quadras daqui. Quando precisamos usar o carro muito cedo, deixamos ele na rua e, como precaução, temos alarme e seguro", comenta.

Em média, a locação de uma vaga de garagem em prédios comerciais e residenciais na região varia de R$ 265 a R$ 350 (com ou sem taxa condominial inclusa). No Estacionamento Bosque, ao lado da Galeria do Vila Rica, a mensalidade é de R$ 250 (carro nacional) e R$ 275 (carro importado).

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