Com modelo, empreendedores
estão assumindo novo papel
Novo sistema abre perspectivas de ampliação do mercado
Milton DóriaEfeitosRicardo Yazbeck: ‘‘Rearranjo do crédito vai gerar empregos e teto’’
A flexibilização das normas do Sistema Financeiro da Habitação e a implantação do Sistema de Financiamento Imobiliário abriram novas e importantes perspectivas de ampliação do mercado imobiliário brasileiro. O que isto significa? ‘‘É o rearranjo institucional do crédito imobiliário, cujos efeitos no contexto macroeconômico são sobejamente reconhecidos: geração de empregos e teto’’, responde Ricardo Yazbek, presidente do Secovi/SP e também da Comissão da Indústria Imobiliária da Câmara Brasileira da Indústria da Construção-CII/CBIC.
Convidado do 9º Encontro da Habitação e do Mercado Imobiliário Parananeense, Yazbek argumenta que a junção dos mercados imobiliário com o financeiro vem produzindo uma mudança de mentalidade no setor, fazendo com que os empreendedores assumam um novo papel na sociedade. ‘‘Acredito que o SFI fará com que as construtoras brasileiras voltem a se dedicar exclusivamente à sua vocação, sem se preocupar com as atividades de crédito, que por sua vez ficam por conta de financeiros’’.
O presidente do Secovi/SP ressalta que no exterior as figuras do empreendedor e do construtor são bem definidas, elas se concentram apenas em suas atividades principais. E no processo mundial de globalização essas empresas procuram mercados emergentes para expandir seus negócios.‘‘Se analisarmos bem, notaremos que essas empresas têm poucas diferenças com relação às brasileiras no que diz respeito à construção em si. Mas elas trazem um diferencial, que é o funding, o dinheiro mais barato. Por isso nós precisamos estar mais preparados para esse novo cenário’’.
O SFI trouxe para o País, como principal vantagem, o aumento de seu potencial de crescimento. ‘‘Nos últimos anos, as incorporadoras e construtoras têm sido obrigadas a empregar a maior parte de seu capital de giro no financiamento ao comprador final’’, ilustra Yazbeck. Segundo estudos sa Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança-Abecip, a partir de agora e em prazo máximo de dez anos, o Brasil poderá estar financiando cerca de 600 mil imóveis por ano.
‘‘A experiência da utilização do mercado secundário de hipotecas nos Estados Unidos, por exemplo, mostra que, em uma década, foram gerados e aplicados recursos da ordem de US$ 3,8 trilhões. Para os norte-americanos, o mercado secundário de hipotecas representou uma maneira de retomar os investimentos, depois de uma grande crise enfrentada na década de 80. Hoje o mercado mostra extraordinário desenvolvimento, conclui Ricardo Yazbeck.

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