Coleta seletiva no condomínio exige a colaboração de todos
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sábado, 15 de março de 2008
Paula Costa Bonini<br>Especial para a FOLHA 
Toda pessoa, independente de classe social, credo ou raça, deve ter consciência de seus deveres enquanto cidadão. Pagar impostos, cumprir a legislação vigente, conservar o meio ambiente e respeitar o próximo é o mínimo que todo ser humano deveria fazer. Também é obrigação das pessoas aderir a prática da coleta seletiva, que só traz benefícios ao meio ambiente e à vida.
A coleta consiste em separar o lixo orgânico (cascas, bagaços de frutas, restos de alimentos, papéis molhados ou engordurados) do reciclável (papel, vidro, plástico e metal). É dever de todos colaborar e colocar em prática o conhecido jargão ''cada um deve fazer a sua parte''.
O coordenador da coleta seletiva da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), José Paulo da Silva, conta que o Conselho Municipal do Meio Ambiente de Londrina (Consemma), em Resolução Municipal, obriga todos os segmentos da sociedade a reciclar. Os condomínios não ficam de fora. A coleta, que deve acontecer em todos os edifícios, tanto residenciais quanto comerciais, passa por algumas etapas. De acordo com Silva nos condomínios o processo é um pouco mais complicado pelo fato de envolver um número maior de pessoas.
O lixo deve ser separado pelo morador e armazenado no condomínio num lugar específico para essa finalidade. Quem deve recolher o lixo reciclável é uma Organização Não Governamental (ONG). Para isso, o síndico deve cadastrar seu condomínio na CMTU. ''Temos 34 ONGS parceiras que desde 2001 fazem a coleta'', afirma Silva, completando que aproximadamente 400 famílias sobrevivem com o dinheiro da reciclagem. O coordenador da coleta explica que o lixo, depois de recolhido pelos membros da ONG, é levado para uma central de triagem, onde é separado e depois vendido às empresas de reciclagem, que produzem novos produtos.
A CMTU controla e organiza o trabalho das ONGS parceiras. Silva assegura que no caso de uma ONG não executar o trabalho, o que ocorre quando o veículo que transporta o lixo quebra, eles procuram outro grupo para fazer a coleta no local. ''A CMTU só não tem o controle dos autônomos que atuam em algumas regiões'', observa, considerando que muitas dessas pessoas, em razão de dificuldades, não conseguem recolher o lixo periodicamente, conforme o combinado, o que acaba causando o acúmulo de material.
Segundo o diretor de operações da CMTU, Fábio Realli, Londrina tem o maior índice de coleta seletiva do Brasil, sendo 23% do lixo reciclado. Mas, apesar disso, ele afirma que muitas ONGS estão funcionando em condições ruins. ''Quando o município implantou a coleta, tivemos que adaptar barracões que não eram ideais para o trabalho. Hoje estamos precisando ampliar e melhorar o trabalho das ONGS'', considera Realli, explicando que serão construídos no município mais 16 barracões para reciclagem do lixo. A empresa de Londrina, Fama Prestadora de Serviços S.S Ltda, já venceu o processo de licitação e a previsão é de que os imóveis sejam entregues até o final de maio.
Mas não são todas as ONGS que estão com dificuldades para executar o trabalho. Na ONG Reciclando Vida o processo, normalmente, é tranquilo. A presidente, Verônica Cardoso Costa, conta que, para não juntar muito lixo, a coleta é feita uma vez por semana nas residências e duas vezes nos condomínios, devido a maior quantidade de material. Eles atendem cerca de 22 condomínios na região central, leste e norte. Verônica ressalta que depois da Resolução Municipal, a colaboração com a coleta aumentou muito. ''Antes não separavam corretamente, mas agora é diferente'', coloca.


