Quando o contador Carlos Eduardo de Afonseca e Silva assumiu a presidência da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld), no início de 2001, a situação econômica da empresa municipal era muito complicada. Com dívidas em torno de R$ 330 milhões dos quais perto de R$ 50 milhões vencidos junto à Caixa Econômica Federal, a Cohab-Ld era a única do Brasil que estava sendo executada judicialmente por aquele banco federal repassador de recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) no financiamento de habitações populares.
Pós-graduado em controladoria e gerência financeira, Silva gastou meses de trabalho renegociando em Brasília as dívidas da Cohab-Ld. Conseguiu abater R$ 28 milhões do total devido e alongar o prazo de pagamento das parcelas. Atualmente, a companhia londrinense repassa cerca de R$ 600 mil por mês à Caixa, provenientes da arrecadação de prestações de seus 17 mil mutuários; saldo de perto de 35 mil casas populares construídas em quase 40 anos de funcionamento. A inadimplência segue alta, com cerca de 50% dos mutuários devendo mais de três prestações, mas o presidente da Cohab está otimista em relação aos planos para o próximo ano, o último desta administração petista em Londrina.
Folha O problema financeiro da Cohab está resolvido?
Silva Diria que a situação está equilibrada. O problema da enorme dívida foi equacionado. A Cohab está voltando a ser uma empresa apta a enfrentar a demanda habitacional existente na cidade; a agir como órgão fomentador de acesso a moradia para a população de baixa renda.
Folha A Cohab voltou a construir casas populares?
Silva Sim, felizmente voltamos. Estamos construindo atualmente depois de anos sem nenhuma obra 1.160 unidades habitacionais, entre casas e apartamentos em 7 conjuntos nas regiões Sul, Norte e Leste de Londrina. Elas são financiadas pelo governo federal gerando 900 empregos diretos através de dois programas e com contrapartida do município. O Programa de Arrendamento Residencial (PAR) financia moradias para famílias com renda de 3 a 6 salários mínimos, enquanto que o Programa de Subsídio à Habitação (PSH) de interesse social atende as famílias com até 3 salários mínimos de renda mensal.
Folha Quando custa cada unidade, que tamanho ela tem e qual será o valor da prestação?
Silva As unidades do PAR custam até R$ 25.800 cada uma, têm entre 48 e 60 metros quadrados, e terão prestações variando de R$ 160 a R$ 200. As do PSH têm financiamento de aproximadamente R$ 8.500, 29 metros quadrados, e prestações de R$ 30 a R$ 35 mensais. O financiamento deve ser pago em 15 anos.
Folha O déficit habitacional em Londrina é grande. Há projetos para novas construções ao fim deste atual lote?
Silva Realmente, com a crise econômica que se abateu sobre o País nos últimos anos, a demanda por moradia popular é grande. Na fila de espera da Cohab aguardam por casas mais de duas mil pessoas. Estamos negociando, entre outros, três projetos que têm perspectivas muito boas para se tornarem realidade. Um com o governo federal por meio do Ministério das Cidades para a construção de 1.100 unidades. Outro com a Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), para a construção de um conjunto com 350 casas. E outro com o Banco Interamericano de Desenvolvimento com contrato já assinado e obra licitada para a construção de 287 casas nos jardins Maracanã e João Turquino (zona Oeste).
Folha O governo do Paraná vai então voltar a investir no setor em Londrina?
Silva São boas as possibilidades disto ocorrer. No governo passado (de Jaime Lerner) faltava vontade política para investir em Londrina. Nos últimos anos o governo do Paraná não construiu nenuma casa na cidade. Agora, estamos bem entrosados com a equipe da Cohapar o prefeito Nedson tem bom relacionmento com o governador Requião e perto de firmar nova parceria para a execução de programas de construção de moradias populares.
Folha E com Brasília, como tem sido o relacionamento neste primeiro ano de governo Lula?
Silva Muito bom. O prefeito Nedson tem trânsito livre com as principais autoridades do setor da habitação, na Caixa Econômica federal, no Ministério das Cidades e na Associação Brasileira de Cohabs (ABC), entidade onde recentemente assumi a vice-presidência. Estamos esperançosos porque o governo do presidente Lula tem como prioridade combater a fome e proporcionar a cidadania à população mais humilde. E por meio da Caixa com recursos do Fundo de Garantia e do Ministério das Cidades, o governo tem a visão acertada de que investindo na construção civil, nos conjuntos de moradia popular, estará gerando empregos, renda, consumo, endereço e cidadania para milhões de pessoas.

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