O metal mais antigo utilizado pelo homem em suas ferramentas e utensílios está ganhando espaço novamente na arquitetura brasileira. O cobre, que foi descoberto por volta de 13.000 a.C. e é amplamente difundido na construção civil nos EUA, Europa e parte da América Latina, especialmente no Chile, está sendo cada vez mais empregado em coberturas e fachadas no Brasil.

Novas tecnologias de aplicação e estudos que confirmam as vantagens do cobre em relação a outros materiais são os principais responsáveis pela difusão desse estilo arquitetônico. O cobre tem a seu favor o fato de possuir propriedades isolantes, ser mais resistente, mais durável, extremamente versátil na aplicação em relação a formas e cores, e de grande valor estético, entre outras características.

Nas coberturas, o cobre se destaca por permitir a opção de contraposição aos tetos planos. ''Seu uso oferece aos arquitetos a possibilidade de encontrar uma imagem distinta para a arquitetura contemporânea'', diz Antônio Maschietto Jr, diretor executivo do Procobre - Instituto Brasileiro do Cobre. Ele destaca ainda que o material chama a atenção e diferencia a obra, promovendo o arquiteto.

Desde que foi criado há três anos, o Instituto Brasileiro do Cobre desenvolve trabalhos de divulgação do uso do material, publicando livros que orientam arquitetos e mão-de-obra. ''Hoje temos mais de 20 obras em vários Estados utilizando o cobre'', enumera Maschietto. Para o diretor do IBC, a durabilidade do cobre é sua principal vantagem.

Excelente isolante térmico, o cobre também evita perdas de calor latente por meio de pisos, vedos e coberturas. Sua superfície polida chega a refletir 96% da energia recebida, garantindo temperaturas mais agradáveis. Também apresenta boa resistência mecânica, podendo ser utilizado em soluções estético-estruturais com lâminas delgadas inferiores a 0,5 mm. Além de resistir à ação de atmosferas agressivas, suporta agentes biológicos, fogo e grandes diferenças de temperatura.

As cores naturais do cobre formam um jogo contínuo de luz e sombra ideal para conferir caráter de nobreza aos edifícios. Sua pátina verde natural resultante da lenta reação com a atmosfera e a composição das dobraduras oferecem uma textura dificilmente encontrada em outro material.

Outra característica que o torna atual é o fato de ser um material ecológico. Além de não agredir as atividades humanas, sua reciclagem não apresenta perda de propriedades físicas, químicas e mecânicas. Também é econômico na medida em que requer poucos cuidados quanto à manutenção.

Usado nos sitemas hidráulicos, o cobre também pode conduzir água fria, graças às suas propriedades bactericidas. O material impede a proliferação de germes, bacterias e fungos, contribuindo para a qualidade da água e evitando doenças. Por isso, é utilizado internacionalmente em instalações hospitalares e escolares - quando utilizado na tubulação, consegue diminuir consideravelmente as bactérias carregadas pela água, ao contrário do ferro e do plástico qaue permitem a sua proliferação.

Muito utilizado em séculos passados, principalmente em construções religiosas, o cobre renasceu para a arquitetura contemporânea pelas mãos de profissionais como Frank Ghery, Santiago Calatrava, Rafael Moneo, Michael Graves, Normam Foster, Richard Rogers, entre outros.

A Catedral da Sé, em São Paulo, e a Estátua da Liberdade, em Nova York, são exemplos de edifícios que utilizam o cobre em sua cobertura. Mais recentemente, prédios comerciais como o Birmann e instituições como o Pró-Vida, em São Paulo, também utilizaram o cobre nas construções.

Os principais responsáveis por essa mudança de comportamento na arquitetura nacional são os convênios firmados entre Procobre e a Fundação para Pesquisa Ambiental (Fupam), da USP, e com o Departamento de Tecnologia da Arquitetura da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (Fauusp). Os estudos estão abastecendo os profissionais com informações precisas sobre o cobre e suas vantagens e difundindo novos conceitos tecnológicos.

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