Clima determina o estilo do brasileiro
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de junho de 2000
Célia Baroni De Londrina 
Desde que sai do útero, o ser humana faz da busca de um lugar seguro uma meta prioritária. Para o arquiteto Álvaro Côrtes, a casa é a concretização desta meta e reflexo do significado de segurança desde os primórdios da humanidade. A concepção de moradia evoluiu através do tempo agregando outros valores como conforto, beleza e prazer de viver à versão original, sempre obedecendo às exigências de cada local, afirma.
Por isto, afirma cada país têm um perfil típico de moradia (uma linha que une cada edificação mostrando a que cultura pertence). A única exceção, diz Álvaro Côrtes, talvez seja o Brasil. Segundo ele, a de uma constante, é resultado da mistura de raças e de culturas que fazem do nosso País um dos mais variados e criativos arquitetônicamente.
O brasileiro já nasce sem nenhuma segurança, então ele nasce livre e faz sua casa tendo como único limite o seu gosto, acredita o arquiteto.
As arquitetas Rita Carmona e Andrea Marroni concordam com a análise do colega de profissão Álvaro Côrtes. Fazem apenas um questionamento: não será esta difereciação a linha comum do viver brasileiro? Argumentam que em todos os lugares do País é possível encontrar em uma única região casas com influências claras das várias culturas que formam nosso povo.
O nosso clima é fator determinante na hora de definir como será a casa. Rita Carmona explica que, na maioria das vezes, é preciso moldar o estilo pedido à realidade do clima local para que a casa não perca o conforto. Mas as pessoas sempre vem com referências claras de estilos variados porque ficaram seduzidas pela estética, explica.
Hoje, por exemplo há uma tendência forte na busca do modelo de residência italiano porque ele responde as ansiedades do brasileiro e um abandono da casa de estilo português. Os projetos estão mais intimistas, voltados para um jardim ou área de lazer idealizado nos fundos do terreno, privilegiando o convívio familiar e entre amigos.
Este estilo, diz, responde a necessidade comum ao brasileiro: liberdade. A necessidade de estar protegido, mas sem perder a liberdade e o contato com a natureza e o mundo de fora. Outro ponto que, na opinião das arquitetas Rita Carmoni e Andrea Marroni, marca o jeito de viver do brasileiro é a necessidade de se diferenciar dos demais.
Citam como exemplo os conjuntos habitacionais populares, onde todas as casas tem um único projeto. No começo é tudo igual, mas basta elas serem ocupadas que, com o tempo, cada uma é transformada de acordo com o gosto do seu morador, comenta Andrea Marroni. Para as arquitetas, este exemplo prova a necessidade de diferenciação.


