Classe média dá sinais de recuperação
Ligia Barroso
De Londrina
Resultados da última estatística realizada pelo Sindicato da Habitação do Paraná sobre o mercado de locação em Curitiba demonstram que a maior concentração de negócios está entre os imóveis residenciais que têm valor de aluguel até R$ 300,00. Estas unidades, com dois e três dormitórios, representaram 57% das locações realizadas no mês de outubro. Os imóveis, com valores mensais a partir disso (e até R$ 450,00), somam outros 24% do número de contratos no mesmo período, cita o diretor de economia e estatística do Secovi-PR, imobiliarista Luiz Valdir Nardelli.
Segundo ele, o número de ofertas ainda continua alto foram 4.133 imóveis oferecidos para locação com índice de velocidade de 16,82% , mas os percentuais obtidos revelam um importante dado para todo o mercado imobiliário: A população das classes média e média baixa, que, em função das dificuldades financeiras tinha deixado de pagar pelo aluguel (indo morar temporariamente com a família, voltado a morar com os pais etc) e com isso contribuido com a retração, está voltando gradativamente ao mercado de locação. É a recuperação financeira da classe média, importante contingente consumidor deste segmento, declara Nardelli.
O diretor do Secovi-PR diz ainda que, paralelo a isso, houve sensível redução no nível de inadimplência entre estes locatários. O índice de ações de despejo de 99 foi cerca de 16% menor que o de 98. São sinais analisados como fatores positivos para o setor que vem mantendo crescimento razoável desde o mês de julho.
Além de buscar o melhor preço entre as inúmeras ofertas, o inquilino também procura agregar ao valor gasto mensalmente com o aluguel, vantagens como a localização e conservação do imóvel. São os imóveis em melhores condições de uso os que alugam mais rapidamente, enfatiza Nardelli. E, a partir de agora, que o valor de negociação já chegou em seu limite máximo, com a retirada de todas as gorduras dos preços, os consumidores se voltam cada vez mais para as boas condições de moradia que o imóvel possa oferecer.
Atualmente, entre os poucos contratos de locação firmados com negociação de preços, a variação entre o valor solicitado e o efetuado é de cerca de 5% para menos. Uma média baixa se compararmos com as de anos anteriores, quando para alugar mais rápido, ou ainda conseguir alugar, era preciso reduzir o preço em até 15% do valor pedido pelo proprietário, lembra Nardelli.
O delegado do Secovi Regional Londrina, Jorge Coimbra, faz ainda outras observações quando a questão é negociar preço: Mesmo com número elevado de ofertas, as negociações só estão ocorrendo em situações muito específicas, como o alto valor do condomínio ou de taxas como o IPTU, imóvel velho e sem boas condições de uso, ou ainda quando localizados em áreas sem infra-estrutura necessárias comercial, transporte ou escola por perto.
Coimbra comenta ainda que, em Londrina e assim como em outras cidades prósperas do Paraná, o mercado de locação vem crescendo, também porque novas áreas residenciais estão sendo construídas. A busca pelo imóvel de melhor preço e em melhores condições de moradia, ou seja os novos, ajudou para que pequenos investidores aplicassem suas economias na construção de casas (a maioria geminadas) e pequenos blocos de apartamentos apenas para o aluguel. E isso é feito em novos bairros que estão sendo formados, principalmente na zona Norte da cidade, ocasionando crescimento também para o mercado de locação comercial.Pesquisa do Secovi-PR mostra que o número de ofertas continua alto mas a procura também cresce, principalmente por imóveis com aluguel até R$ 300
Albari Rosa/Arquivo FolhaO MERCADOA pesquisa, feita em Curitiba, revela também outro fator positivo: o índice de ações de despejo de 99 foi cerca de 16% menor que o de 98





