Os últimos dez anos, definitivamente, foram expressivos para o mercado imobiliário de Londrina. Nunca construiu-se nem vendeu-se tanto imóvel na cidade. Entre os vários fatores, segundo empresários do setor, está a demanda que excedeu a oferta existente. Não há dados oficiais sobre o número de unidades habitacionais vendidas, mas nesse período, segundo Gerson Guariente Junior, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Norte do Paraná (Sinduscon), o volume de financiamentos é estimado em R$ 6,5 bilhões. Em 2011, as vendas de imóveis que utilizaram linhas oficiais de crédito devem fechar em R$ 1,3 bilhão.
O aumento da demanda foi, na avaliação de imobiliaristas, principalmente, o que impulsionou o aumento dos valores dos imóveis e o aquecimento do mercado. ''Procura motivada, sobretudo, pelos inúmeros estímulos de linhas de financiamento e facilidade de créditos do governo'', comenta Raul Vieira, proprietário da Imobiliária Raul Vieira.
Dados da Regional Norte do Sindicato da Habitação e Condomínios (Secovi-PR), com base em levantamento realizado pelo Instituto Paranaense de Pesquisa e Desenvolvimento do Mercado Imobiliário e Condominial (Inpespar), embasam a constatação. No ano de 2010, houve uma variação positiva de 15,4% no preço médio dos imóveis residenciais para venda. Já até novembro de 2011, uma variação de 27,5%, ou seja, 12,1% acima do ano anterior. Com relação ao número de imóveis ofertados para locação houve uma variação de crescimento de 11,7% em 2010, e 17,4% em 2011.
Valorização, entretanto, que conforme Vieira, ameaçou uma certa inflação, mas não uma ''bolha'', como algumas pessoas dizem. ''Estou ouvindo isso há três anos.'' De acordo com ele, cerca de 2 mil apartamentos devem ser entregues somente no ano que vem. ''Estes foram rapidamente comercializados. Para os próximos meses, aguardamos mais anúncios de lançamentos. Não esperamos um crescimento significativo de comercialização para o ano que vem, mas se for igual a 2011, vamos comemorar'', completa. Já para os anos seguintes, ele acredita que deve haver uma diminuição na procura, o que seria ''aceitável'', depois de um crescimento vertiginoso e contínuo.
Antes que isso aconteça, porém, os empresários comemoram os feitos dos anos anteriores e já se preparam para o melhor período do ano. ''A movimentação começa agora e se estende até o mês de março. Janeiro é o melhor mês do ano. São investidores querendo comprar, transferências de postos de trabalho, além da grande procura por residências para estudantes'', comenta Vieira, acrescentando que todos os segmentos relacionados indiretamente também foram beneficiados. ''Fábricas de móveis planejados, boxes e vidros, nunca ganharam tanto dinheiro como agora.''

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