Cidades incham e qualidade da moradia cai
PUBLICAÇÃO
domingo, 14 de novembro de 2004
Reportagem Local 
Cerca de 80% das moradias do Brasil são localizadas em favelas. A afirmação é da secretária executiva do Ministério das Cidades, Ermínia Maricato, que esteve em Londrina semana passada, participando do 5º Encontro de Arquitetos do Paraná. Ela representou o ministro Olívio Dutra durante a palestra de abertura. A secretária atribuiu o número elevado de moradias precárias ao processo histórico de urbanização que as cidades brasileiras sofreram ao longo do século XX.
Segundo Ermínia, a partir da década de 50 as áreas urbanas, até então símbolos de modernidade e segurança, foram se tornando alternativas de habitação para a população que desistia da vida rural. ''As cidades passaram a abrigar moradores que, desanimados com a vida no campo, se instalavam precariamente nas regiões urbanas. Com isso foram crescendo o número de moradias ilegais e, consequentemente, a violência, que era atribuída na maioria das vezes às zonas rurais'', contextualizou.
A secretária explicou que a rapidez com que a mudança ocorreu evidenciou ainda mais os problemas de habitação. ''Em 1990, 15 milhões de pessoas residiam nas cidades. Atualmente, são aproximadamente 137 milhões. Hoje 31% dos domicílios estão sem esgoto e 75% destes não são tratados, isso faz os rios se tornarem verdadeiros depósitos de excremento'', afirmou.
Para Ermínia os fatores podem piorar ainda mais se não forem apresentadas alternativas maciças para sua resolução. ''O assunto tem que ser colocado com maior destaque na agenda nacional. É necessário enfrentar o problema, aumentar a fiscalização. Propor leis para uso, ocupação e parcelamento do solo. Existe sim um Brasil fora da lei e pedaços de cidades informais que precisam acabar''.
Ela disse que as pessoas não têm consciência da importância das construções públicas na área civil. ''Elas precisam exigir que o Estado assuma responsabilidades''. A secretária executiva salientou que grande parte do aumento da desordem é decorrente do afastamento do estado frente suas responsabilidades na última década. ''A população precisa ficar atenta e exigir que o poder público cumpra sua parte. Muitas pessoas não sabem que a mudança de zoneamento de uma região pode chegar a triplicar o valor de um terreno''.


