São Paulo- Sorocaba será a primeira cidade do Estado de São Paulo a abrigar um empreendimento imobiliário voltado para o público GLS (gays, lésbicas e simpatizantes). À primeira vista, o Season, que será lançado em setembro, é semelhante a qualquer condomínio fechado voltado à classe A. A diferença está nos detalhes: tudo feito com base em pesquisas com o objetivo de agradar ao morador GLS. São 150 lotes, a partir de 1 mil metros quadrados cada um, ao custo de R$ 95 o metro quadrado.
A pesquisa feita pela Agra Loteadora, construtora do Season, detectou que o condomínio precisaria contemplar três características: convívio, natureza e serviços. O Season tem uma área de lazer diferenciada, com dois clubes, mata preservada e uma rede de serviços.
''O condomínio tem dois clubes, um mais agitado, com fitness center e piscina, e outro mais reservado, com uma horta onde os moradores podem colher temperos, por exemplo. Esses dois clubes são em duas pontas do empreendimento. E no centro há uma área com mata nativa preservada e espaço zen'', diz o presidente da Agra Loteadora, Arthur Matarazzo.
Não há, por exemplo, áreas voltadas a crianças e adolescentes. ''Claro que vamos atender aos casais de gays e lésbicas com filhos, mas como os terrenos são de tamanhos generosos, entendemos que o casal com filhos pode montar uma estrutura dentro do terreno.''
A rede de serviços do condomínio vai funcionar por meio de uma central de concièrge (central de serviços em hotéis). ''O condômino terá vários serviços, como arrumadeira, diarista e lavanderia. Tudo no sistema pay-per-use, para não onerar o condômino que não usa os serviços'', diz Matarazzo.
A campanha publicitária do Season foi toda feita com foco nesse público. ''Já escolhemos canais específicos para atingir ao nosso público'', afirma Matarazzo. A equipe de vendas, do braço imobiliário da casa de leilões Sotheby’s, foi treinada para atender ao público GLS.
Para João Silvério Trevisan, escritor e um dos fundadores do movimento gay no Brasil, o fato de ter um empreendimento com uma campanha focada no público é benéfico. ''O gay no Brasil tem um problema da auto-imagem. Ele não se vê em lugar nenhum. É interessante um produto que mostre o homossexual em sua campanha.''

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