Números da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) comprovam o que o mercado imobiliário já vem sinalizando desde o começo de 2007. Segundo a entidade, considerando apenas os financiamentos com recursos vindos das cadernetas de poupança, até maio o número de unidades financiadas cresceu 58% sobre o mesmo período do ano passado. Foram contabilizadas mais de 80 mil unidades financiadas. Ainda de acordo com a Abecip, os dados de financiamento imobiliário permitem prever que, em 2007, o número de famílias atendidas pelos bancos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), que operam com recursos da poupança, poderá superar 150 mil.
Os números mostram que a expansão do segmento da construção civil já é fato, significando que o ano trará boas oportunidades para quem quer comprar um imóvel. ''A queda dos juros, a estabilidade da inflação e o alongamentos dos prazos de pagamento propiciam o aumento da segurança das pessoas. Assim, elas podem planejar a longo prazo'', explica o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Norte do Paraná (Sinduscon Norte), Junker de Assis Grassiotto.
Segundo ele, o cenário econômico brasileiro se tornou muito interessante tanto para os consumidores que pretendem realizar o sonho da casa própria como para aqueles que pretendem comprar um imóvel como forma de investimento. Grassiotto considera que muitos compradores têm se animado, principalmente, com a possibilidade de pagamento a longo prazo com parcelas fixas.
''Está acontecendo na construção civil o mesmo que aconteceu, por exemplo, com o mercado automobilístico. O número de carros aumentou espetacularmente nos últimos anos no Brasil justamente por causa dessa modalidade de pagamento'', comenta.
No entanto, o presidente do Sinduscon faz um alerta: o preço dos imóveis deve subir. Ele explica que o aumento dos preços ocorrerá porque a demanda será maior que a oferta. ''As construtoras têm um limite de capacidade de produção. Soma-se isso o fato de que já há sintomas da falta de materiais de construção no mercado. Ainda não falta matéria-prima, mas há fortes sinais de que isso poderá ocorrer em breve. Isso vai refletir no preço final dos imóveis, provocando um indesejado mas inevitável aumento dos preços'', afirma.
Grassiotto aponta, no entanto, que o comprador e o investidor bem-informados sabem como aproveitar as oportunidades que surgem em um momento de maior demanda, como o atual.
''Um dos caminhos é comprar um imóvel ainda na planta'', sugere. A explicação para isso está, por exemplo, na estimativa do Sindicato da Habitação (Secovi-SP). Na avaliação da entidade, o preço dos imóveis na planta pode ficar de 20% a 30% mais barato quando comparado aos imóveis já prontos.

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