A crise financeira internacional não adia o sonho do brasileiro em adquirir a casa própria. Esta é uma constatação da MRV Engenharia, maior incorporadora e construtora brasileira no segmento de empreendimentos residenciais voltados para classe média, com 29 anos de atuação, presente em 63 cidades, em 13 estados brasileiros e no Distrito Federal, que não foi atingida pelos efeitos da crise. Segundo o diretor comercial da MRV para o Sul do País, José Lima Melo, as vendas da empresa não sofreram queda e em várias cidades elas até cresceram. Para o executivo os consumidores dos produtos da construtora não são guiados por tendências da bolsa de valores e sim pela confiança na economia e pela capacidade que possuem em arcar com seus compromissos e essa confiança não foi abalada.
Para Lima, outro fator determinante para que a crise não tenha afetado a empresa é que a grande maioria dos bancos não alterou as taxas de juros, e a Caixa Econômica Federal, maior parceiro da MRV ao longo de sua história só para se ter uma idéia, tem liberado, em média, R$ 100 milhões por dia em contratos de financiamento imobiliário. O dinheiro da poupança e do FGTS garante os negócios. De janeiro a setembro, o banco já emprestou mais de R$ 17 bilhões (igual a todo o volume do ano passado, que foi de R$ 17,4 bilhões). No período, o crescimento é de 55%.
O executivo ressalta que outro ponto importante é que na época da abertura de capital, a construtora foi à empresa que mais captou recursos na bolsa de valores, R$ 1,2 bilhão e este dinheiro foi muito bem investido. Hoje, a MRV possui 204 canteiros de obras espalhados por 63 cidades, o banco de terrenos para novos lançamentos soma mais de R$ 9 bilhões e somente para o mês de novembro, estão sendo preparados cerca de 20 novos lançamentos, sendo quatro deles para a regional Sul: dois deles em Curitiba e um em Londrina e outro em Porto Alegre.
Lima defende que mesmo com as preocupações sobre uma recessão nos Estados Unidos o risco de contaminação do setor de construção civil brasileiro é baixo. Uma das explicações para o otimismo é a ainda baixa relação entre os financiamentos e o Produto Interno Bruto (PIB). Segundo dados do Banco Central (BC), o crédito imobiliário representa hoje apenas 1,7% do PIB. No Chile, esse número é de 15%; no México, de 11%; e, na Espanha, de 44%. Junta-se a isso o fato do Brasil ter um déficit habitacional estimado em 8 milhões de unidades.
Com a expansão prevista para este ano, o crédito imobiliário deve atingir 2,3% do PIB e, no ano que vem, 3,6%. Essa relação só chegaria a 10% do PIB em 2015 - ou seja, o espaço para crescimento ainda é enorme.

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