Carência de imóveis ameaça Curitiba
PUBLICAÇÃO
sábado, 09 de setembro de 2000
Ligia Barroso De Londrina 
Publicação anual da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi), que aponta as tendências da construção civil em Curitiba, o Perfil Imobiliário de uma Metrópole, em sua 14ª edição (agosto 2000), é resultado da coleta de dados mensais de pesquisas e informações relacionadas às áreas em construções no município e números sobre a produção do setor que determinam o comportamento do mercado na capital do Estado.
Lançado durante a posse da nova diretoria da Ademi Paraná, o Perfil 2000, segundo o presidente da entidade, Normando Antonio Baú, revela uma situação de alerta para empresários (e consumidores) do setor: não está havendo aumento real da produção imobiliária e a demanda vem se mantendo, devido principalmente ao crescimento vegetativo da população e da industrialização do Estado do Paraná. E isso acentua a probabilidade de que, em futuro muito próximo, haja uma certa carência de imóveis (residenciais e comerciais) no município de Curitiba, para atender tanto ao mercado de compra e venda quanto ao de locação.
A constatação é óbvia, e está baseada em resumo dos números oficiais obtidos, nestes úlimos dez anos, junto à Prefeitura Municipal através da tabulação das quantidades de obras residenciais e comerciais licenciadas (alvarás emitidos) e concluídas de fato.
A publicação, que tornou-se um dos instrumentos confiáveis para tomada de decisões e estudos do mercado, assim como guia para as construtoras e fornecedores do segmento, detalha e comenta a atual situação através de balanço da década.
No período de 1988 e 1989, quando o mercado vivia uma expectativa de crescimento, diz Normando Baú, foram emitidos alvarás para um montante de 1,8 milhão de m2 de obras. Dez anos depois (98/99), o volume foi reduzido para 1,2 milhão de m2.
A queda de 30%, segundo o atual presidente da Ademi/PR, foi o reflexo direto de uma série de problemas econômicos ocorridos durante o período inflação estratosférica, planos econômicos mal-sucedidos e o crédito seletivo para a produção de novas unidades. Na emissão de alvarás verifica-se uma intenção de construir, que depende de uma série de fatores, não refletindo a situação real do mercado, ou seja, de obras concluídas, argumenta.
A 14ª edição do Perfil de uma Metrópole revela ainda que o período compreendido entre 1995 e 1998, as áreas residenciais concluídas cresceram quase 100%, estimuladas pela facilidade de crédito, pela inflação baixa e pelas boas perspectivas econômicas. De 650 mil m2 construídos em 95, a produção saltou para 1.250.000 m2, em 98. Já no período de 98/99, devido à falta (ou limitação de crédito específico à indústria da construção), a produção retrocedeu cerca de 15%, caindo para 1,05 milhão em metros quadrados de áreas residenciais concluídas.


