Célia Baroni
Em uma análise concreta é fácil descobrir que, depois da cama, o sofá é o lugar mais utilizado da casa. Já passou o tempo em que a sala de estar era um espaço formal, usado só pelas visitas. Hoje, mesmo quem conta com uma residência espaçosa ou com uma sala de televisão, otimiza o uso deste ambiente e transformou a sala e estar em ‘‘sala de vivência’’. Mais tranquila, ela é ideal para conversar e relaxar.
Já quem tem de optar pelos espaços pequenos, a sala de estar vira ‘‘sala de tudo’’. Se tiver filhos, então, a sala se transforma no lugar predileto das brincadeiras, ideal para o lanche e melhor ainda para se esparramar e assistir televisão. Mesmo em uma família mais comportada, ‘‘fazer uma boquinha’’ entre um papo e outro, levantar as pernas e colocá-las sobre o sofá é quase inrresistível.
Nos dois casos o sofá, rei da sala, corre o risco de virar um mendigo sujo e esfarrapado em pouco tempo, não fosse a utilização das capas. Novidade? Que nada, as capas de sofá e similares como xales e mantas sempre foram utilizadas em ambientes de reuniões frequentes para aquecer no frio ou simplesmente proteger o sofá de salas pouco utilizadas.
Só recentemente, por força da modernidade, correria e falta de espaço, elas ganharam glamour. De uma peça apenas utilitária que era tirada apressadamente quando as visitas chegavam, transformaram-se em um artigo importante, capaz de dar versatilidade em qualquer decoração.
Então, viva as capas de sofá, diriam as mais afoitas. Mas o negócio não é tão simples. Vestir um sofá comprando pronta ou mandando fazer uma capa, exige alguns cuidados na escolha do produto e do profissional para evitar decepções com o resultado. As capas prontas, daquelas que servem para qualquer modelo de sofá, podem tirar a estética de sofás com design. As drapeadas, por exemplo, não são a melhor escolha quando o móvel tiver linhas mais retas. Para se adaptar a várias formas, elas usam e abusam de elásticos.
Também disponíveis no mercado, as capas lisas tipo lençol têm um corte especial, ficam soltas sobre o sofá e costumam ser arrematadas com um babado para segurar o tecido. Essas capas são práticas, mas menos confortáveis porque, com o movimento tendem a se mexer mais que as do tipo drapeadas. Se o objetivo principal é proteger o móvel do uso diário, podem ser uma boa opção. Disponíveis em várias estampas e tecidos, as capas prontas facilitam o trabalho de quem escolhe, oferecendo padronagens que se adaptam aos mais variados ambientes.
Mas nem só da produção em série vivem os fabricantes de capas. Alguns oferecem aos clientes o modelo ‘‘sob medida’’. A capa é feita respeitando as linhas do assento, encosto e braços e o drapeado é colocado apenas na parte de trás, para dar firmeza. O resultado visual é agradável, principalmente para sofás sem almofadas soltas, porque preserva o desenho do sofá e não briga com a decoração.
Mas o ideal mesmo é vestir o sofá com uma roupa inteira ‘‘sob medida’’ e aí a única alternativa é procurar um profissional (tapeceiro ou costureira) especialista no assunto.
Tapeceiro há 16 anos, Claudio Milani Rodrigues, considerado pelos arquitetos um dos melhores estofadores de Londrina, entrega que no começo não gostava muito de fazer capas de sofás. ‘‘Não tínhamos experiência e o produto bem feito é trabalhoso, quase na mesma proporção que a troca do tecido do sofᒒ, afirma.
Mais de seis anos depois ele mudou de idéia. ‘‘Fizemos especialização e hoje dominamos uma técnica eficiente para fazer um produto de qualidade’’, garante. Hoje, diz, boa parte das pessoas que encomendam a feitura de um sofá ou uma reforma pedem junto a capa. ‘‘Além de bonita e prática, ela ajuda a mudar a cara da sala’’, comenta.
Mesmo assim, Rodrigues insiste que fazer capas de sofá não é trabalho fácil. Explica que é preciso tomar cuidado com as medidas de cada sofá, saber cortar o tecido do jeito certo para evitar erros na montagem das estampas, ou manchas de tonalidades diferentes. ‘‘Uma boa capa tem de vestir o sofá como uma segunda pele, sem rugas, manchas ou estampas desencontradas’’, fala exigente.
Ele explica que a metragem necessária para a capa depende da largura do tecido - 1,40 metros (normal) ou 2,20 (enfestado) e da sua padronagem. Se o sofá for de três lugares e tiver almofadas soltas, vai demandar cerca de 20 metros do tecido normal ou 16 metros do enfestado. Escolher o melhor tecido não é difícil, diz. Basta optar por um resistente, respeitar o estilo da decoração e as cores predominantes do ambiente onde está o móvel. Cores lisas têm sido as mais cotadas, e o branco é o preferido.
O tapeceiro afirma que, em Londrina há bons profissionais e que a maioria de lojas que trabalham com tecidos para estofados podem indicar pessoas capacitados. Mas orienta os interessados a tentar conhecer alguém que já tenha adquirido o produto, antes de contratar o serviço.Com elas, o rei da sala corre menos risco de se transformar em um mendigo sujo e esfarrapado, mesmo no uso constante das salas de TV
Dorico da SilvaSob medidaO ideal é vestir o sofá com uma roupa inteira. Para conseguir um caimento perfeito, a única alternativa é procurar um profissionalDorico da SilvaA cadeira também ganha proteção: praticidade

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