Crédito em abundância, aumento do limite de financiamento pelo Fundo de Garantia e programa ''Minha Casa, Minha Vida. A soma desses fatores continua favorecendo a construção civil no Paraná. Dados da Secretaria de Obras de Londrina mostram que o número de alvarás liberados para construção nos primeiros cinco meses deste ano aumentou 41,7% na comparação com o mesmo período de 2009. O índice registrado é maior do que o atingido em Curitiba - de 34% - segundo levantamento do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná (Sinduscon-PR).

De janeiro a maio deste ano, 1.541 unidades de projeto de construção foram aprovadas em Londrina, contra 1.087 no mesmo período de 2009. Para Osmar Ceolin Alves, presidente do Sinduscon-Norte (região de Londrina), esse aumento foi impulsionado pelo ''Minha Casa, Minha Vida'', aumento do limite de financiamento pelo Fundo de Garantia - que barateou os juros e aumentou os prazos de pagamento - e maior oferta de crédito oferecida pelos bancos. ''Por ser uma cidade do interior, os preços dos terrenos são mais baratos. É mais difícil encontrar terrenos de valores de até 3 salários mínimos na capital'', justifica.

No primeiro trimestre deste ano, a emissão dos alvarás referentes à conclusão das obras em Londrina aumentou 23,5% em relação ao mesmo período de 2009, enquanto em Curitiba, a expedição do Habite-se (documento que averba a conclusão da obra e autoriza a entrega do imóvel) teve queda de 26,5%.

Conforme o presidente do Sinduscon-Norte, a maior procura em Londrina é por imóveis menores de até R$ 100 mil, com três quartos, o que justifica a conclusão mais acelerada das obras. ''A entrega é mais rápida por causa do preço; a demora aumenta o custo da obra. E para estar dentro do programa do governo, os preços são fixos'', acrescenta. Segundo ele, o tempo médio para conclusão de obras é de um ano para prédios e conjuntos de casas.

Para Gustavo Selig, presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Estado do Paraná (Ademi-PR), os dados de Curitiba refletem o aumento no prazo de construção das obras na cidade. Segundo ele, houve um crescimento na área liberada, o que significa obras maiores e com mais unidades. O tempo médio de construção de empreendimentos multifamiliares na capital, atualmente, é de 18 meses, de acordo com a associação.

A demora na expedição das autorizações, segundo Selig, também é um dos entraves para a conclusão imediata das construções. Na capital, o prazo para aprovação de projetos pela Prefeitura é de cerca de 90 dias tanto para construção quanto para entrega. O período considerado ideal pelas construtoras e incorporadoras é de 30 dias. Já em Londrina esse prazo pode chegar a 180 dias, segundo o presidente do Sinduscon-Norte.

Projeções

A previsão para o segundo semestre em Curitiba, é que o aumento de unidades liberadas se mantenha, dada a expectativa de crescimento do mercado imobiliário. ''Se continuar nesse ritmo, acredito que o crescimento vá ultrapassar os 18% de elasticidade'', avalia Gustavo Selig. No primeiro trimestre deste ano, foram 4.102 unidades de construção liberadas, 652 a mais que no mesmo período do ano passado. ''Esse número siginifica que logo vai aumentar o número de obras entregues'', completa. Em Londrina, Osmar Alves estima um crescimento de 15% no financiamento e no crédito imobiliário e, por consequência, na área de construção aprovada até o final do ano.

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