São Paulo -Trincas, rachaduras, umidade, manchas na parede. Quem já constatou esses problemas em casa alguma vez pode ter culpado o pedreiro pelo serviço malfeito. Mas é preciso levar em conta um outro problema: a proliferação da produção e da comercialização da cal hidratada irregular no mercado, que faz com que o consumidor acabe adquirindo ''gato'' por ''lebre''.
De acordo com a Associação Brasileira dos Produtores de Cal (ABPC), existem produtos identificados como ''cal de segunda'', que normalmente são resultado de uma mistura de pequena quantidade de cal virgem e filito, areia, caulim, argila ou terra preta e não têm o mesmo poder aglomerante da cal hidratada. Ou seja, não cumprem bem o seu papel de unir os demais componentes da argamassa: o cimento e a areia.
''Além de encarecer a obra'' -pois, muitos produtos adulterados recomendam maior dosagem de cimento, para compensar a falta da cal hidratada -, ''depois de meses, ou anos, começam a surgir os problemas'', lembra Mauro Seabra, secretário-executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Cal (ABPC). Ele lembra que esses produtos não atendem às exigências de pureza estipuladas pela Norma Técnica 7175, da ABT, razão pela qual são chamados de não-conformes.
A cal hidratada pura resulta de um processo industrial controlado, é extremamente fina e leve, permitindo o preparo de maior quantidade de argamassa com redução do custo por metro quadrado. Além do rendimento, o resultado proporciona boa aderência, melhor acabamento, reduzindo a quantidade de tinta na hora do acabamento, e maior elasticidade, porque ela absorve mais as pequenas movimentações das construções, evitando trincas, fissuras e o descolamento de revestimentos.
A identificação do produto ''legal'' pode ser facilmente vista na embalagem. ''Dela devem constar a marca, o tipo - há três tipos de cal hidratada, a CH-I, a CH-2 e a CH-3 -, o número da norma, o nome ou a razão social do fabricante e o selo de qualidade da ABPC'', explica Seabra.

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