Caixa limita crédito para moradia
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sábado, 18 de outubro de 2003
Agência Estado 
São Paulo - Está cada vez mais restrita a possibilidade de compra de imóveis usados com financiamento da Caixa Econômica Federal. Na surdina, a Caixa tomou recentemente duas decisões que limitam a oferta de crédito para esse tipo de moradia. Em junho, suspendeu a linha de financiamento para a compra de imóvel usado pela classe média (famílias com renda mensal acima de R$ 2 mil), abastecida com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), do programa FAT-Habitação. Em 19 de setembro, reduziu de 80% para 50% o porcentual de financiamento para aquisição de imóveis usados, com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), uma linha de crédito destinada a famílias com renda de até R$ 2 mil, no programa Carta de Crédito FGTS .
Segundo informações da Assessoria de Imprensa da Caixa Econômica Federal, a suspensão da linha de crédito para a compra de imóveis usados do programa FAT-Habitação e a redução do porcentual de financiamento, também para a compra de usados, no programa Carta de Crédito FGTS, são medidas emergenciais de contingenciamento de crédito que devem durar até que ocorra nova liberação de recursos destinados às respectivas modalidades de financiamento.
A iniciativa da Caixa surpreendeu muitos candidatos a essa linha de empréstimo para a compra de imóvel usado. O interessado que tiver renda mensal superior a R$ 2 mil terá de adiar os planos até que a instituição retome o financiamento. Quem tiver renda de até R$ 2 mil poderá levar o sonho adiante, desde que tenha uma reserva de, no mínimo, 50% do valor de avaliação do imóvel, porque o banco só libera crédito máximo de 50%.
Outra saída para quem tem renda de até R$ 4,5 mil é a compra de imóvel novo ou em construção financiada pelo programa Carta de Crédito FGTS. Nesse caso, o valor de avaliação do imóvel não pode superar R$ 80 mil e a instituição financia até 80%. O financiamento poderá ser pago em até 20 anos, desde que a prestação (amortização e juros) não seja inferior a R$ 30,00. Os juros cobrados pela Caixa dependem da renda familiar bruta do mutuário. Acompanhe:
Quem tem renda familiar bruta de até R$ 1 mil paga juros de 6% ao ano; se a renda for acima de R$ 1 mil até R$ 3.250,00, os juros subirão para 8,16% ao ano; e acima de R$ 3.250,00 até R$ 4.500,00, pularão para 10,16% ao ano.
Embora seja a norma geral, existe uma ressalva segundo a qual a taxa de juros de 10,16% ao ano será adotada também para candidatos com renda familiar bruta inferior a R$ 3.250,00, desde que o valor de financiamento seja acima de R$ 55 mil até R$ 64 mil e/ou o valor de avaliação do imóvel fique acima de R$ 62 mil até R$ 80 mil.
As prestações serão calculadas pelo Sistema de Amortização Crescente (Sacre) ou pela Tabela Price. Pelo Sacre, o mutuário poderá comprometer até 30% da renda familiar bruta com a prestação; pela tabela Price, até 25%.
Vale lembrar que, pelo Sacre, as prestações iniciais do financiamento ficam mais elevadas que as calculadas pela Tabela Price. Isso ocorre porque pelo Sacre o mutuário amortiza mensalmente uma parcela maior da dívida. E os juros, por sua vez vão recaindo sobre um saldo devedor cada vez menor, o que pode levar a um valor de prestação estável e posteriormente menor a cada mês. Outra vantagem do Sacre é que, no término do prazo contratual, não haverá nenhum valor residual de dívida.
As restrições para o financiamento de imóvel usado podem desaquecer mais ainda os negócios nos programas voltados para o financiamento de unidades novas ou em construção. Isso porque, para comprar um novo, muitas vezes o interessado precisa vender primeiramente o imóvel que já tem para complementar o dinheiro da entrada, até porque o banco não empresta o valor integral de avaliação do bem.


