Célia Baroni
As cadeiras voltaram definitivamente para a sala, ganharam estofados nos encostos, assentos e braços. Alargaram seus assentos ganhando uma estrutura mais forte. Tudo em nome do conforto e versatilidade. A mudança aproximou o visual da cadeira ao das poltronas a tal ponto que hoje nem todos conseguem diferenciar uma da outra.
Como a evolução não dá ‘‘ponto sem nó’’, esta mudança veio para atender a demanda de assentos para pequenos espaços e garantir a multiutilidade. Elas resolvem o problema de fornecer assentos a mais em mesas de jantar ou almoço em ocasiões especiais, mesmo em grandes espaços.
Com espaço garantido na sala, as cadeiras com braços renasceram com todo glamour e foram aceitas à mesa formando parcerias divertidas com cadeiras sem braços. Rosane Rotondo, proprietária da Greko Decorações, que trabalha há mais de 15 anos na fabricação de cadeiras e poltronas de vários estilos, garante que não é tão difícil reconhecer uma cadeira.
As cadeiras, esclarece, têm uma altura padrão (cerca de 46 centímetros de altura) para permitir a acomodação à mesa. Já as poltronas são sempre mais baixas, apresentando no máximo 40 centímentros de altura, apropriadas para acompanhar os sofás.
A liberdade de trabalhar com vários estilos em um mesmo ambiente é um bônus do tendência clean na decoração. Isto, diz, faz com que a diferença de altura entre as cadeiras e os sofás confira um charme a mais na composição final - uma ousadia que seria mal vista há cerca de dez anos quando as normas ditavam o alinhamento, e sofás e cadeiras precisavam ter a mesma altura.
Esta mudança das cadeiras, complementa, não é exatamente uma novidade. Ela conta que embora os desings atuais sejam menos rebuscados, mais arrojados e tenham uma preocupação anatômica, as cadeiras nasceram rainhas nas salas. Os sofás e poltronas como os conhecemos hoje, só apareceram há cerca de um século. Cita como exemplo os estilos Dom João VI e manuelino, clássicos na época do império (colonial). ‘‘Naquela época, as cadeiras eram os assentos das salas, tinham espaldar e braços e foi da união de duas ou três delas que nasceram as marquesas com braços’’, esclarece.
Para Rosane Rotondo, o retorno das cadeiras e a sua modificação são principalmente uma questão de praticidade. ‘‘Hoje as pessoas querem móveis versáteis que se adaptem bem a qualquer ambiente, otimizando os espaços’’, frisa.
Rotondo afirma que até pouco tempo atrás a maioria dos pedidos dos clientes incluia um sofá de três lugares com duas ou três poltronas. Hoje, os clientes optam por sofás de dois lugares e duas cadeiras. ‘‘Mesmo quando o cliente dispõe de um grande espaço, ele acaba preferindo criar vários ambientes menores, privilegiando o ar de aconchego’’, complementa. A simplicidade, ressalta, assume uma importância inquestionável dentro dessa visão de elegância, refletindo na preferência por estofados em tecidos naturais como linho e puro algodão.Versáteis, elas ganharam desenho anatômico e braços, aliando conforto e beleza para ganhar a preferência e desbancar as clássicas poltronas
Paulo WolfgangAs cadeiras com braços renasceram com todo glamour e foram aceitas à mesa formando parcerias divertidas com cadeiras sem braço

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